Cap.4: Vocês deixaram saudades
Na despedida final dos pais de Julie, muitas pessoas foram
até a frente da igreja e falaram algumas palavras sobre tia Ana e tio Carlos.
Mas, foi no final de tudo que Julie foi a frente, e suas palavras, como não
podia ser diferente, emocionou a todos. Pois ninguém conhecia os dois mais que
Julie, e suas palavras não foram apenas uma despedida dos pais, mas uma lição
de moral que deveríamos levar para a vida.
Cap. 4, parte 1: Lição de amor e a saudade eterna (O discurso de Julie)
A dor que hoje encontra-se em meu coração, é imensurável. A
dor de perder as duas pessoas que mais amei e ainda amo, é quase insuportável.
Mas isso é algo que, talvez, só o tempo irá me ajudar a
superar. Então, hoje, apenas gostaria de passar para todos um pouco do que meus
pais eram e das lições que me passaram.
Meus pais se conheceram ainda no colégio aos dezessete anos.
Começaram a namorar e minha mãe ficou grávida uns oito
meses após o início do namoro dos dois. Não, não era de mim. Era do meu
irmãozinho que minha mãe perdeu no quarto mês de gravidez.
Meus pais se casaram
sim porque minha mãe engravidou e etc. Não que não fossem se casar se não
tivesse acontecido isso, mas porque o plano era estudar e depois se casarem.
Mas, enfim, foi assim que aconteceu.
Todavia, mesmo com a perda do meu irmãozinho, eles
continuaram juntos pois se amavam. Os pais deles tentaram separá-los para que
pudessem estudar, mas eles escolheram estar juntos. Isso no início gerou uma
certa revolta nos meus avós, que tempo depois, no meu nascimento para ser mais
específica, vieram a aceitar os fatos.
Mas, devido meus pais serem jovens e sem experiência, e por
não conseguirem bons empregos, passaram por muitas dificuldades juntos, tanto
financeira quanto em suas vidas de casal.
Mas, quando eu nasci, eles prometeram a si mesmos, que
fariam de tudo para que nunca nos faltasse comida, um teto e mais importante:
me ensinariam o que é a esperança, o respeito e o amor.
E nunca falharam com sua promessa. Embora fossemos pobres,
eu os via todos os dias porem a mesa três vezes ao dia.
Eu aprendi o que era a esperança, quando os via vendo as
minha notas que eram tão baixas e me olhavam com um sorriso dizendo apenas: “Na
próxima eu tenho certeza que serão melhores” ou quando acreditavam que eu
conseguiria uma bolsa no colégio Bom saber.
Aprendi o que era o respeito, vendo meus pais se tratarem,
me tratarem e tratarem desde o mendigo ao prefeito da cidade da mesma forma que
gostariam de ser tratados. Não julgavam o homem pelo que tinham, mas pelo que
eram. Não por um fato isolado, mas sim com base em uma convivência de longa
data.
Mas, a lição mais importante que aprendi com eles, foi o
amor.
Meus pais eram profundos em tudo que sentiam, logo, o amor
que sentiam um pelo outro e por mim, transbordava e ia além de palavras.
Na minha casa, não tinha carro bonito, não tínhamos uma
casa grande e não viajamos nas férias. Mas, tinha amor. Éramos felizes por termos
uma ao outro, por poder andar de mãos dadas e dividirmos cada conquista um com
o outro.
Não viajávamos para lugares bonitos, mas curtíamos a
companhia um do outro. Era sempre um prazer estarmos juntos.
Nossa casa não era grande, mas era um lar. Um receptáculo de
amor. Um lugar no qual a risada ecoava pelos ambientes e qualquer pessoa que entrasse
sentia que a felicidade habitava ali.
Todas essas lições aprendi vendo eles viverem isso, e não
apenas me falando, mas agindo de tal forma. Eles eram meus exemplos de amor.
Tudo que eu sou é resultado do que eles eram e da confiança que tinham em mim.
Se hoje eu luto sem nunca desistir, se eu sonho com o futuro, é porque eles me
ensinavam que o sonho é necessário na vida.
(Naquele momento sua voz quase para e as lágrimas vieram à
tona)
E é por isso que meu coração dói tanto hoje. Eu não sonhei
com um futuro sem eles. Eles fazem parte de toda a minha história, eles eram
meus heróis e eu nunca tinha visto os heróis morrerem. Mas, eles não estão mais
aqui. Eles se foram, e eu só queria dizer mais uma vez que eu os amava e que
eles eram os melhores. Mas eles se foram.
Hoje, quanto ao que eu sinto, eu não sei bem o que dizer,
mas eu sei que de alguma forma eu irei achar uma maneira de seguir, não os
esquecendo, mas aceitando que agora eles viverão apenas em meu coração e na
memória daqueles que os conheciam.
Adeus, papai! Adeus, mamãe!
Cap. 4, parte 2: A partida
Um mês após a despedida dos tios Ana e Carlos, eu me sentia
ainda particularmente triste. Eles eram especiais para mim.
Eu precisava falar com alguém sobre eles. Eu queria saber
como Li estava, então arrisquei pedir a minha mãe para me deixar ir vê-la. Em
tal situação acreditava que nenhum dos dois, nem meu pai ou minha mãe
impediriam.
Então fui correndo vê-la. Ao chegar lá, vi Julie entrar em
um carro que continha algumas malas em cima. Não acreditei! Ela estava se
mudando.
- Julie... Onde você vai?
- Sofi. Estou realmente surpresa em te ver aqui. Já que
você não me procurou uma única vez ao menos para me dizer que estava
do meu lado e que as coisas iriam se ajustar com o tempo.
Sabe, Sofi, eu realmente queria que a pessoa que considerei
minha melhor amiga estivesse ao meu lado quando eu chorava a noite toda
sentindo falta dos meus pais. Mas, tudo bem. Agora tudo está melhorando.
Eu sei que vai ficar tudo certo no final.
- Eu sinto muito por eles. Eu realmente sinto muito. Eu os
amava, Julie.
- Não se preocupe. Eles a amavam também.
Sofi! Obrigada, apesar de tudo, pelo tempo de amizade.
Você melhorou muito desde que te conheci. Me arriscaria a
dizer que aprendeu muito com meus pais.
- Eu aprendi muito com você Julie. Não vá embora. Eu
prometo fazer de tudo por nossa amizade. Eu amo você, Julie. Você é minha irmã.
Eu não quero que você vá embora. Por favor.
Naquele momento minhas lágrimas rolaram e Julie saiu do
carro para me abraçar.
- Eu a amo muito, Sofi. Mas, eu preciso ir. Infelizmente,
não sei quando a verei novamente ou se um dia a verei novamente. Mas, saiba que
nunca a esquecerei.
Embora nossos últimos dias não tenham sido os melhores, eu
realmente amei te conhecer.
Até a próxima, Sofi.
- Até breve, Li.
Cap. 4, parte 3: Você deixou saudade
Após a partida de Li, que foi morar com os tios em outro
estado, as coisas apenas voltaram a ser como era naquela cidade sem graça.
Meu pai realmente vinha mudando muito desde que eu era
pequena. Ele vinha se tornando muito prepotente, e minha mãe sempre acabava
sendo diminuída por ele. Eu não gostava disso, mas a minha visão do meu pai era
de um homem forte que fazia tudo apenas pelo bem de sua família, e eu precisava
aceitar aquilo. Isso era o que eu pensava. Eu o tinha como um herói.
Aquele ano se passou e eu não vi mais Julie, e nem recebi
noticia dela.
Ela realmente deixou saudades. Aonde ela estaria? O que
estaria fazendo? Será que fez grandes amigos? Como estaria suas notas? Será que
ainda era aquela menina feliz e sorridente? Será que ainda tinha aquele olhar
amoroso, doce e ao mesmo tempo forte que ela tinha?
Dessas coisas eu não saberia se não a reencontrasse algum
dia, mas uma coisa era certa: Ela deixou saudade.
E eu não entendo como fui estupida e deixei nossa amizade
ir pelo ralo, e quando tentei ajeitar as coisas era simplesmente tarde demais.
Agora, era
simplesmente esperar no tempo e viver apenas com as lembranças que eu guardava
em meu coração.Fiiiimmmmm!!!!
E aí gostaram da nossa história? deixe nos comentários sua opinião...
Brincadeirinha, gente! hahaha Não acabou ainda. No próximo sábado sai o cap. 5.
Não deixem de comentar o cap. Bjs!!!!
Por: Di Savi


Que susto rsrs. Chorei até o nariz entupir.. Mds cuida da Li..
ResponderExcluirNossa! Que tudo dê certo para as duas��
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