sábado, 29 de outubro de 2016

Julie, você merece!

Cap. 5: O vendaval


Bem, então era isso. Enfim, último ano do ensino médio...
Era impossível não sentir a falta que minha velha amiga me fazia, ainda mais que, justo agora, o Alan tinha sido mandado pelos pais para fora do país para fazer intercâmbio. Ou seja, sem minha amiga, sem meu namorado, me restava apenas me dedicar aos meus estudos, já que naquele ano eu precisaria prestar vestibular.
As coisas na minha casa tinham melhorado muito financeiramente desde que meu pai tinha se tornado um advogado muito conhecido por toda região.
Meu pai sempre foi um homem muito admirado, e sempre exigia de todos a sua volta uma postura digna, isso se dava inclusive em casa. Mas isso é algo totalmente desnecessário de ser citado, visto tudo que aconteceu até o momento.
Eu o admirava, apesar de ele ser tão rígido. Eu confiava cegamente nele e sabia que tudo que ele fazia era para o bem da nossa família.
Bem.... Pelo menos até aquele ano, quando o meu pai foi o responsável pelo vendaval que fez desmoronar toda a minha estrutura.
Depois de meu pai ter se tornado muito importante, por vezes, eu o via chegar muito tarde em casa, já não saia comigo e minha mãe, e quase sempre estava cansado demais para fazer algo conosco. Porém, eu entendia, já que ele estava trabalhando muito.
Até que um dia meu pai demorou a chegar em casa, e eu decidi ir até o trabalho do meu pai fazer-lhe uma surpresa, mas quando cheguei lá, ele já não estava e me disseram que ele já tinha ido para casa. Mas, quando cheguei em minha casa, ele também não estava lá.
- Bem, normal, ele pode estar com algum cliente. Disse para mim mesma.
Mas, é nesse momento que alguém interrompe minha fala, me fazendo tomar o maior susto da minha vida. Já que eu achava que não tinha ninguém em casa.
- Não querida. Ele não está com um cliente.
- Oi mãe. Que susto! Mas, como assim? Meu pai está viajando.
Minha mãe abaixa a cabeça evitando olhar em meus olhos.
Como minha mãe estava com uma aparência cansada. Eu foquei tanto em admirar meu pai que há muito tempo não olhava com atenção para ela como ela merecia.
- Não, querida! Ele não está viajando.
- Mãe! Por favor! Sem joguinhos. Onde ele está?
-Filha, saiba que o que vou te falar agora é sem intenção nenhuma de te magoar, embora seja inevitável. Eu descobri há um mês que seu pai está me traindo já faz um tempo.
- Não! Meu pai é um homem muito honesto e ele nunca faria isso.
- Apenas me ouça filha. Eu descobri isso. Mas, eu aguentei durante todo esse mês, pois sei que esse ano é um ano complicado para você. Eu planejava aguentar tudo por você, mas essa dor tem me devastado desde que eu descobri. Eu tenho lutado há muito tempo para manter essa família, e tenho feito isso por você. Mas, não dá mais para fingir que seu pai é o homem que ele aparenta ser, enquanto ele não faz nenhum esforço por nós. Eu não queria te dizer isso por saber o quanto te machucaria, mas eu como sua mãe, tenho a obrigação de ser honesta com você, mesmo que doa. Não pense que ele não te ama. Não é isso. Ele é seu pai. Mas, infelizmente, eu não posso mais aguentar filha. Desculpe!
Nesse momento ela desmoronou em lágrimas, enquanto eu fiquei sem reação. Apenas me levantei e fui até meu quarto como um robô.
Como? O meu pai. A pessoa que eu mais admirava, aquele que para mim, fazia de tudo pelo bem da nossa família. Aquele que todos a sua volta tinha que espelhar perfeição. Como aquele homem não se importava com a própria família? Como ele pôde considerar nossa família um nada? E todo o meu esforço para agradá-lo durante toda a minha vida? Tudo que sacrifiquei para conseguir sua aprovação?  E minha mãe? Se ele era o homem que era, ele também devia a ela. Pois foi ela que o apoiou e o ajudou até ali.
Como alguém pode demonstrar ser uma coisa e viver outra?
Meus pensamentos ferviam, minha mente não conseguia acompanhar a evidente separação dos meus pais. Eu realmente não estava pronta para tudo aquilo. Mas, meus pensamentos foram interrompidos por um grito que veio da sala. Me fazendo correr para lá.
- O que é isso?
Meu pai estava com a mão levantada preste a bater na minha mãe.
- Filha! Volta para o quarto! Eu preciso falar com sua mãe.
- Com a mão levantada para ela? É assim que pretende conversar com ela?
- Filha. Seu pai só está chateado por eu ter te contado tudo.
- Mãe! Não o defenda. O que você fez foi apenas se importar de verdade comigo. E pai? O meu acabou de morrer para mim. Esse homem pra quem eu olho é apenas parecido fisicamente. Mas, não, ele não é meu pai.
O olhar assustado do meu pai para mim era devastador. O olhar de homem forte e que intimidava a todos havia desaparecido. Era como se ele não imaginasse ouvir jamais aquelas coisas da minha boca. E quanto a mim, só queria magoa-lo, fazê-lo sentir pelo menos um pouco do que eu sentia.
Eu esperava que ele revidasse, mas a única coisa que ele disse foi:
- Já percebi que não vai dar pra conversar com nenhuma das duas.
Ele foi até o quarto, pegou algumas roupas e disse:
- Amanhã eu volto para pegar o resto.
Oi? Como assim? Nenhuma explicação, um “Desculpa!”, nada!
- Mãe. Disse eu chorando.
- Eu sei querida. Pedir desculpa nunca foi o forte dele.
Disse minha mãe me abraçando. Nos seu olhos era visível o sentimento de “ É melhor assim.”
Talvez o desgaste da minha mãe durante aqueles dias de traição do meu pai foi tão grande, que naquele momento ela só queria descansar e esquecer aquele dia, mas queria cuidar de mim e da minha dor, pois, afinal, precisaríamos passar por aquilo juntas.
Depois da separação dos meus pais, eu acabei me afundando em meu próprio mundo. Para mim as pessoas estavam sempre me olhando e comentando o assunto.
A pergunta de “Por que?” não saia da minha mente. Eu queria que tudo se ajustasse, embora eu soubesse que não ficaríamos mais juntos como uma família. Eu queria que aquele olhar cansado fosse substituído por um olhar cheio de vida, no rosto da minha mãe. Eu queria ouvir do meu pai um pedido de desculpa digno. Gostaria que ele admitisse o quanto errou e nos magoou. Em vez disso, ele se afastou, cada vez mais, por vergonha ou mesmo por achar que isso não era necessário.
Minha vida virou de pernas para o ar. Eu não conseguia estudar direito, ia mal nas provas por não conseguir me concentrar, me isolei completamente dos colegas do colégio para que não ficassem me questionando sobre meus pais.
Eu me encontrava muito triste e perdida. Não achava nenhum sentido para continuar vivendo, ao não ser o fato da minha mãe precisar de mim.
Comecei a desenvolver comportamentos totalmente contrários a minha personalidade.
No início, todos acharam que fosse uma reação normal ao fim do casamento, até que fui pega bebendo bebidas fortes e fumando com alguns colegas atrás da escola, e o fato de eu estar cada vez mais isolada no meu quarto.

A ausência do Alan não ajudava muito. E foi então que as lembranças da Julie invadiram a minha mente.
Como eu queria ela ali. Eu gostaria ao menos de saber como ela estava, com quem estava, se a sua vida tinha se ajustado.
Eu queria também ela estivesse ali para me ajudar a tomar uma direção. Mas o que estava ali era apenas a lembrança dos nossos dias de amizade.

Bem pessoas, desculpem o sumiço. mas, estamos de volta. 
Não deixem de comentar o capítulo aqui no blog para nos motivar a escrever mais. O próximo cap está previsto para o próximo sábado. Espero que tenham gostado. Bjs

Por: Di Savi

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