Cap. 5: O vendaval
Bem, então era isso. Enfim, último ano do ensino médio...
As coisas na minha casa tinham melhorado muito
financeiramente desde que meu pai tinha se tornado um advogado muito conhecido
por toda região.
Meu pai sempre foi um homem muito admirado, e sempre exigia
de todos a sua volta uma postura digna, isso se dava inclusive em casa. Mas
isso é algo totalmente desnecessário de ser citado, visto tudo que aconteceu
até o momento.
Eu o admirava, apesar de ele ser tão rígido. Eu confiava cegamente
nele e sabia que tudo que ele fazia era para o bem da nossa família.
Bem.... Pelo menos até aquele ano, quando o meu pai foi o
responsável pelo vendaval que fez desmoronar toda a minha estrutura.
Depois de meu pai ter se tornado muito importante, por
vezes, eu o via chegar muito tarde em casa, já não saia comigo e minha mãe, e
quase sempre estava cansado demais para fazer algo conosco. Porém, eu entendia,
já que ele estava trabalhando muito.
Até que um dia meu pai demorou a chegar em casa, e eu
decidi ir até o trabalho do meu pai fazer-lhe uma surpresa, mas quando cheguei
lá, ele já não estava e me disseram que ele já tinha ido para casa. Mas, quando
cheguei em minha casa, ele também não estava lá.
- Bem, normal, ele pode estar com algum cliente. Disse para
mim mesma.
Mas, é nesse momento que alguém interrompe minha fala, me
fazendo tomar o maior susto da minha vida. Já que eu achava que não tinha
ninguém em casa.
- Não querida. Ele não está com um cliente.
- Oi mãe. Que susto! Mas, como assim? Meu pai está
viajando.
Minha mãe abaixa a cabeça evitando olhar em meus olhos.
Como minha mãe estava com uma aparência cansada. Eu foquei
tanto em admirar meu pai que há muito tempo não olhava com atenção para ela
como ela merecia.
- Não, querida! Ele não está viajando.
- Mãe! Por favor! Sem joguinhos. Onde ele está?
-Filha, saiba que o que vou te falar agora é sem intenção
nenhuma de te magoar, embora seja inevitável. Eu descobri há um mês que seu pai
está me traindo já faz um tempo.
- Não! Meu pai é um homem muito honesto e ele nunca faria
isso.
- Apenas me ouça filha. Eu descobri isso. Mas, eu aguentei
durante todo esse mês, pois sei que esse ano é um ano complicado para você. Eu
planejava aguentar tudo por você, mas essa dor tem me devastado desde que eu
descobri. Eu tenho lutado há muito tempo para manter essa família, e tenho
feito isso por você. Mas, não dá mais para fingir que seu pai é o homem que ele
aparenta ser, enquanto ele não faz nenhum esforço por nós. Eu não queria te
dizer isso por saber o quanto te machucaria, mas eu como sua mãe, tenho a
obrigação de ser honesta com você, mesmo que doa. Não pense que ele não te ama.
Não é isso. Ele é seu pai. Mas, infelizmente, eu não posso mais aguentar filha.
Desculpe!
Nesse momento ela desmoronou em lágrimas, enquanto eu
fiquei sem reação. Apenas me levantei e fui até meu quarto como um robô.
Como? O meu pai. A pessoa que eu mais admirava, aquele que
para mim, fazia de tudo pelo bem da nossa família. Aquele que todos a sua volta
tinha que espelhar perfeição. Como aquele homem não se importava com a própria família?
Como ele pôde considerar nossa família um nada? E todo o meu esforço para
agradá-lo durante toda a minha vida? Tudo que sacrifiquei para conseguir sua
aprovação? E minha mãe? Se ele era o
homem que era, ele também devia a ela. Pois foi ela que o apoiou e o ajudou até
ali.
Como alguém pode demonstrar ser uma coisa e viver outra?
Meus pensamentos ferviam, minha mente não conseguia
acompanhar a evidente separação dos meus pais. Eu realmente não estava pronta
para tudo aquilo. Mas, meus pensamentos foram interrompidos por um grito que
veio da sala. Me fazendo correr para lá.
- O que é isso?
Meu pai estava com a mão levantada preste a bater na minha
mãe.
- Filha! Volta para o quarto! Eu preciso falar com sua mãe.
- Com a mão levantada para ela? É assim que pretende conversar
com ela?
- Filha. Seu pai só está chateado por eu ter te contado
tudo.
- Mãe! Não o defenda. O que você fez foi apenas se importar
de verdade comigo. E pai? O meu acabou de morrer para mim. Esse homem pra quem
eu olho é apenas parecido fisicamente. Mas, não, ele não é meu pai.
O olhar assustado do meu pai para mim era devastador. O olhar
de homem forte e que intimidava a todos havia desaparecido. Era como se ele não
imaginasse ouvir jamais aquelas coisas da minha boca. E quanto a mim, só queria
magoa-lo, fazê-lo sentir pelo menos um pouco do que eu sentia.
Eu esperava que ele revidasse, mas a única coisa que ele
disse foi:
- Já percebi que não vai dar pra conversar com nenhuma das
duas.
Ele foi até o quarto, pegou algumas roupas e disse:
- Amanhã eu volto para pegar o resto.
Oi? Como assim? Nenhuma explicação, um “Desculpa!”, nada!
- Mãe. Disse eu chorando.
- Eu sei querida. Pedir desculpa nunca foi o forte dele.
Disse minha mãe me abraçando. Nos seu olhos era visível o
sentimento de “ É melhor assim.”
Talvez o desgaste da minha mãe durante aqueles dias de traição
do meu pai foi tão grande, que naquele momento ela só queria descansar e
esquecer aquele dia, mas queria cuidar de mim e da minha dor, pois, afinal, precisaríamos
passar por aquilo juntas.
Depois da separação dos meus pais, eu acabei me afundando
em meu próprio mundo. Para mim as pessoas estavam sempre me olhando e
comentando o assunto.
A pergunta de “Por que?” não saia da minha mente. Eu queria
que tudo se ajustasse, embora eu soubesse que não ficaríamos mais juntos como
uma família. Eu queria que aquele olhar cansado fosse substituído por um olhar
cheio de vida, no rosto da minha mãe. Eu queria ouvir do meu pai um pedido de
desculpa digno. Gostaria que ele admitisse o quanto errou e nos magoou. Em vez
disso, ele se afastou, cada vez mais, por vergonha ou mesmo por achar que isso
não era necessário.
Minha vida virou de pernas para o ar. Eu não conseguia
estudar direito, ia mal nas provas por não conseguir me concentrar, me isolei
completamente dos colegas do colégio para que não ficassem me questionando
sobre meus pais.
Eu me encontrava muito triste e perdida. Não achava nenhum
sentido para continuar vivendo, ao não ser o fato da minha mãe precisar de mim.
Comecei a desenvolver comportamentos totalmente contrários a
minha personalidade.
No início, todos acharam que fosse uma reação normal ao fim
do casamento, até que fui pega bebendo bebidas fortes e fumando com alguns colegas atrás
da escola, e o fato de eu estar cada vez mais isolada no meu quarto.
A ausência do Alan não ajudava muito. E foi então que as
lembranças da Julie invadiram a minha mente.
Como eu queria ela ali. Eu gostaria ao menos de saber como
ela estava, com quem estava, se a sua vida tinha se ajustado.
Eu queria também ela estivesse ali para me ajudar a tomar uma direção. Mas o que estava ali era apenas a lembrança dos nossos dias de amizade.
Bem pessoas, desculpem o sumiço. mas, estamos de volta.
Não deixem de comentar o capítulo aqui no blog para nos motivar a escrever mais. O próximo cap está previsto para o próximo sábado. Espero que tenham gostado. Bjs
Por: Di Savi

Já tá dando sdds da Li tbm.��
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