domingo, 25 de setembro de 2016

sábado, 24 de setembro de 2016

Julie, você merece!

Cap. 3: Orgulho


Pelo resto daquele ano meu pai foi duríssimo e me manteve sempre sobre vigilância. Dizia ele que eu estava no ensino médio e precisava de concentração máxima.
Andar com pessoas bem ajuizadas e que não me levassem por um mau caminho. Mas, o que ele não sabia até ali, é que Li, apesar de sua loucura, era essa pessoa. Li me ajudava a ser alguém muito melhor, e até me ajudaria a tomar boas decisões, se eu a ouvisse.
Um dia, consegui driblar aquele armário que ficava no meu pé e falar com Li:
- Li.
- Sofi! Tudo bem? O que está acontecendo?
Contei tudo para Li.
- Não acredito, Sofi. E você simplesmente escolheu esconder a verdade? Agora os seus pais têm uma visão ruim não só de mim, mas também injustiçaram meus pais. Sofi... Isso está ficando muito sério. Era para ser algo simples: Você contava a verdade e tomava castigo como todo mundo e fim.
Mas, isso está prejudicando muita gente e olha pra isso, a gente está conversando escondida porque não podemos andar juntas, é como se eu fosse uma doença.
Sabe, você foi uma das minhas melhores amigas...
- Fui? Não sou mais?
- Sabe, Sofi. Eu cedi ao seu pedido por amar você como uma irmã.
Não importa o que falassem de mim, mas, quando se trata de meus pais, eu não aceito que ninguém fale deles sem conhecer a história deles e tudo que passaram para me criar. E seu pai, outro dia, passou de carro e meu pai foi cumprimentá-lo e seu João ligou o carro e quase passa por cima do meu pai. Isso já foi longe demais. Não somos marginais.
Aquela altura, eu já estava muito tensa sem saber o que fazer:
- Eu sei que tudo está muito complicado, mas tenta se pôr no nosso lugar: Meu pai estudou e tem se tornado cada dia um advogado muito importante. Ele sempre me criou para ser a melhor. Ele só está preocupado comigo.
- Seu pai é perfeito para você, certo? O meu também é para mim. E mais, eu sei que a versão da história que seu pai conhece não é a real, mas, se fosse meu pai, aquele homem que não sabe educar a filha, como seu João mesmo fala, meu pai saberia que eu estava mentindo, porque ele presta atenção na filha, e mais, se ele não percebesse, ele jamais julgaria os seus pais e nem mesmo a você. Ele simplesmente consideraria isso um acidente.
- Li, essa discussão está ficando séria. Eu não posso voltar a falar com você em público, mas quero ser sua amiga.
- Escondidas, certo? Por que você jamais poderá ser vista com alguém como eu. Eu quero ser sua amiga, eu amo você, você é uma irmã que nunca tive, e é exatamente por isso que quero que fale a verdade aos seus pais.
- Li, eu não vou fazer isso. Eu não vou correr o risco por uma...
- Você não vai correr o risco por uma amizade comigo certo? Olha, se eu quero que você fale a verdade, é simplesmente para que você tire esse peso que sei que está na sua consciência.
Mas, também, não deixarei de ser sua amiga nunca, eu sempre me lembrarei dos nossos dias juntas, do quanto me ajudou. Mas, serei sua amiga de longe, esperando o retorno da minha amiga Sofi, porque não acredito que essa garota covarde que está na minha frente seja a Sofi. Enfim, estarei sempre aqui esperando você tomar sua decisão. Esperando o seu retorno.
- Julie, você não pode ficar tão chateada assim, afinal se seus pais são tão incríveis assim, porque você precisou trabalhar para comprar um celular para você? Por que não estudaram para terem dinheiro e te dar uma vida digna?
- Você sabe que eles me deram um no meu aniversário e que nunca quiseram que eu trabalhasse cedo, mas eu tomei essa decisão. Agora eu até tomei coragem e contei para eles. No fim do ano usarei todo meu dinheiro para dar um presente para eles. Por que é algo que eu quero fazer. E mais, dinheiro não é tudo, nunca fomos ricos, mas sempre fomos felizes por ter um ao outro. Aprendemos a dar valor a sentimentos e não a coisas. Enfim, não posso mudar o seu modo de pensar, me dói saber que pensa isso deles, mas não posso fazer nada. Eu amo você Sofi. Me procura, estarei sempre aqui por você.
- Li...
Julie foi embora, e eu fiquei ali sem acreditar que eu disse aquilo para ela. Como? Por que? Na tentativa de me justificar, eu acusei pessoas que tinham as almas mais belas que eu já havia visto em toda minha vida.
Mas, era tarde, ela já havia ido e eu não ia desdizer tudo o que já havia dito. Sem contar que eu era uma pessoa complicada de estabelecer vínculos. Já conhecia meus colegas daquela escola muito bem, e tinha medo de ser obrigada a mudar de escola e ter que começar tudo novamente. Tal possibilidade me assustava.
Mas, por esse meu medo bobo, por medo de perder minha segurança e estabilidade, medo de sair da minha zona de conforto, medo de encarar meu pai e dizer a verdade, medo de desconstruir a imagem de filha exemplar que meus pais formaram de mim, preferi me afastar, mesmo sentindo falta dela, me afastei. Era meu futuro que estava em jogo, não iria deixar nada atrapalhar.
A férias chegaram e enfim natal, ano novo e todas aquelas festas. Antes do fim das aulas, Li e eu sempre nos olhávamos de longe, eu soube até que ela me defendia secretamente se alguém falava de mim, e ainda aconselhava Alan sobre o que eu gostava ou não. Ela sempre foi a minha amiga, e eu sempre covarde como ela mesmo havia me dito.
Mas, foi quase no fim de janeiro que Li resolveu revelar a surpresa que tinha para os pais:
- Pai, mãe! Como vocês são os melhores pais do mundo, todo o meu dinheiro que juntei trabalhando vai para algo que eu vim preparando para vocês.
- O que seria, filha?
- Ah, pai! Calma.
- Conta filha. Disse Ana, impaciente.
- Darei uma viagem de lua-de-mel para as praias de Fortaleza, já que é aniversário de casamento de vocês. Na verdade, é só um pouco do que vocês merecem. Quando eu for mais velha, terá muito mais.
Carlos e Ana olharam emocionado para a filha. E Ana disse:
- Filha, você não precisa fazer isso. Compre algo que você goste e que você precise.
- Mãe, o que eu preciso é que vocês façam essa viagem que vocês merecem e que eu queria dar a muito tempo.
- Filha, se você faz questão, nós iremos. Não é querida. Vamos fazer esse esforço. Disse Carlos, em tom irônico. Vamos aproveitar que agora temos esse carro, mesmo que velhinho e vamos.
Mais tarde:
- Querido, não deveríamos, coitadinha.
- Querida, você sabe a quanto tempo Li deseja nos dá essa viagem? Não sabemos o futuro. Devemos aproveitar cada momento. Ela está tendo a chance de realizar um dos desejos de sua vida que é nos dá essa viagem.
- Você tem razão. Temos uma filha e tanto.
Enfim chegou o dia da viagem:
- Li, filha, você ficará na casa da Giovanna, sua mãe disse que não há problema que fique lá, já que logo começam as aulas.
- Certo, mãe.
- Filha, juízo. Vê se aproveita a volta as aulas e acerta as coisas com Sofi. Ela é uma boa menina, só está um pouco confusa.
- Eu sei, pai. Não se preocupe.
- Nós amamos você, seja uma boa menina nos dias que estivermos fora assim como é quando estamos olhando. Ok?
- Não se preocupe mãe.
- Nós amamos você, filha. Muito obrigada pelo presente. Amamos você.
Eu gostava bastante dos pais de Julie, e quando eu estava na pracinha, os vi passando e dei tchauzinho para eles.
Quem diria, eles já tinham até um carro, mesmo que não fosse novo, era deles. Eles eram tão esforçados dentro de todas as suas limitações que eu nem sei como eu fui tão cruel dizendo aquilo para Li.
Mas, enfim, eu não ia mais me aproximar de Li, não correria o risco.
Os pais de Li, sempre mandavam fotos das férias para Li e sempre falavam com a filha.
As aulas haviam voltado e o dia da viagem de volta dos pais de Julie enfim chegou.
Ligaram para a filha antes de entrar no carro ligaram, e disseram que a amavam novamente. Eles diziam aquilo o tempo todo. Era chato, mas, ao mesmo tempo era lindo.
- Ligamos assim que chegarmos, filha.
- Ok! Eu amo vocês.
Enfim o dia da chegada dos pais de Li chegou, e o telefone de Luana, mãe da Gio, toca. Li corre ansiosa corre esperando que sejam os seus pais. Mas, algo que ninguém realmente contava havia acontecido.
Li entra na sala e vê Luana sentada no sofá ainda tremendo e pálida:
- O que houve tia Lu. Disse Li.
- Querida, eu preciso que você seja forte agora. Era do hospital. Eles fizeram tudo que podiam... mas, o acidente... Luana mal conseguia concluir a frase.
- Não... Não... Isso é mentira. Não pode ser.
Naquele momento, Julie sentiu suas vistas escurecerem e suas pernas falharem. Quando acordou estava no hospital.
- Você está melhor, querida? Disse Luana.
- Eu acho que fisicamente sim. Tia, quero vê-los. Eu quero cuidar de tudo, quero ficar até o último momento quando forem... quando eles... quando forem enterrá-los. Dizia Julie em lágrimas.
- Eu ficarei ao seu lado, querida.
- A culpa foi minha, não foi? Eu não deveria ter pago essa viagem.
- Querida, nunca fale isso novamente. Você realizou o sonho de seus pais. E você foi para eles o melhor que pôde acontecer. Você é incrível.
Nada que fosse dito naquele momento poderia reconforta-la, mas ela era forte e manteve sua força ao lado do corpo de seus pais durante todo o velório.
Eu, como meu pai havia me proibido apenas de me aproximar de Julie, achei tudo bem ir ao velório. Afinal, eu havia aprendido a amá-los no nosso tempo de convivência. Eu não me perdoaria se não fosse lá.
Olhei Li de longe, em seus olhos a tristeza era visível. Parecia até que todo o brilho havia desaparecido.
Todos iam cumprimentá-la, e tudo o que eu quera era pegá-la pela mão e leva-la até nosso lugar favorito. Conversar sobre garotas que não gostávamos e sobre garotos.
Queria que ela soubesse que eu estava lá por ela.
Mas, eu fui tão fraca, eu tive medo, eu não quis ir até ela por medo de ela pensar que eu só estava me aproximando por pena.
 Sei que na situação meus pais entenderiam, mas, eu fui fraca, covarde, a pior pessoa naquele momento, fui orgulhosa também. 
 Li, me olhou como se esperasse apenas que eu abrisse o caminho para que tudo voltasse a ser como era. Ao invés disso, fiquei ali sentada até o fim, e depois fui embora. Eu a magoei ainda mais.
Ela só precisava da amiga dos fins de tarde no lago, e eu fui apenas a Sofi  de quando nos vimos pela primeira vez no corredor da escola.


O próximo cap. é o quatro e sai no próximo sábado.
Não deixem de comentar aqui no blog o que acharam.
Por: Di Savi


sábado, 17 de setembro de 2016

Julie, você merece!

Cap.2: Amigas! 

O tempo foi passando e fomos crescendo. Acabei me tornando muito próxima de Julie.
Ainda me pergunto se ofereci uma amizade saudável para ela. Já que Li era espontânea e sempre sorridente, principalmente nas horas inconvenientes.
Li sorria de você, mesmo que você tivesse tomado o maior tombo da sua vida e sofresse traumatismo craniano. Li, por vezes sorria da própria desgraça.
Eu me questionava: Como alguém pode ser tão idiota a tal ponto? Li conseguia.
E eu, Sofi, com meu hábito de achar que sabia tudo sobre tudo e todos, achei que Julie precisava de alguns ajustes, então resolvi mudá-la.
Meu pai me ensinava sempre a ser culta e me comportar da melhor forma, em todos os lugares e nunca ficar rindo de coisas idiotas, pois se o fizesse seria tão idiota quanto os outros. Eu deveria estar sempre a um passo dos outros.
Inclusive, meu pai me aconselhou a adotá-la como um projeto para saber até onde iam as minhas habilidades. Papai sempre apostou muito em mim, só que isso vinha carregado de muitas cobranças. 
Papai me amava, e queria que eu fosse a melhor em tudo. Então, me colocou nas melhores escolas que podia pagar, e exigia que eu me dedicasse ao máximo, e isso acabou se tornando um hábito em minha vida.
Me tornei extremamente perfeccionista. Algumas vezes, olhando do meu presente para esse meu passado, eu era extremamente prepotente. E quando Julie ia mal em suas avaliações, eu acreditava piamente que aquilo devia-se a falta de disciplina e concentração dela, e ainda da falta de dedicação. Ou seja, Julie merecia.
Muito bem, sem mais delongas, vamos para nossos dias de escola.
- Oi, Sofiiii.
- Olá, Julie.
- Tenho uma notícia muito boa. Adivinha.
- Não faço ideia.
- Tirei sete na prova de matemática.
-Julie, eu tirei dez. Acho que a prova estava muito fácil.
- Mas, eu estudei tanto. Acho que a prova não era tão fácil assim. Disse Julie entristecida.
Acabei tirando, naquele momento, os méritos por algo que ela tanto se esforçou e veio tão entusiasmada me contar.
Mas, uma característica em Julie, era não magoar seus amigos, enfrentava professores quando discordava de um determinado assunto, mas nunca de sua opinião formada, apenas de fatos que para mim eram inquestionáveis, já que estava nos livros de história, caramba. Para não enfrentar os amigos, preferia se magoar e deixar que dissessem o que queria.
Na tentativa de ajudar Julie com suas notas e fazer dela meu projeto de fracasso para sucesso, fiz uma proposta:
- Julie, todos os dias após as aulas, eu vou para minha casa, e lá vou estudar todo o conteúdo passado e ver mais coisas na internet. Por que não faz o mesmo?
- Sofi, você não se diverte nunca?
- Não é disso que estamos falando. Falei isso ajustando meus óculos. Aquilo me incomodou, de certa forma.
- Bem, eu já faço algo parecido. Mas, não consigo entender muita coisa. Me desconcentro facilmente na escola, imagina em casa sem professor.
- Precisa ter foco. Além do mais, acho que não se esforça tanto. Impossível! Se se esforçasse suas notas seriam melhores.
- Como eu disse, faço algo parecido, mas não tenho internet em casa. E não tenho computador.
- Vamos fazer o seguinte, vamos estudar na biblioteca. Vou falar com meus pais e você fala com os seus. Quero saber se não vamos melhorar suas notas e seu comportamento inadequado.
E assim foi, todos os dias por meses obriguei Li a ficar na biblioteca comigo.
Foram dias bem intensos para duas garotas de treze anos.
Conhecemos Luana, mão de Giovanna, nossa colega. Luana trabalhava na biblioteca e sempre nos observava.
Enfim, chegaram as primeiras provas depois de termos começado a estudar na biblioteca. Quando terminou tudo, eu estava certa de que ela iria muito bem.
Fui para a biblioteca esperar Li para saber os resultados, já que ela meio que fugiu de mim na escola.
- Julie, me conta como foi nas provas. Aposto que desde que começou a se esforçar verdadeiramente, elas subiram muito.
Li me olhou triste e começou a chorar. Me assustei um pouco e pedi que ela parasse.
- Não precisa ficar chorando. Chorar é coisa de gente fraca. Ainda mais em público. Falei isso em tom de brincadeira.
- Sabe, Sofi, eu realmente admiro você e seu esforço por mim. Eu a considero minha melhor amiga. Eu agradeço tudo que fez, mas minhas notas foram tão baixas ou medianas como sempre. Não importa o que eu faça, não passo de um mísero sete, seis, ou até menos.
Continuou:
- Eu, apesar de você duvidar, realmente me esforçava antes, dentro dos meus limites de materiais. Eu olhava livros e algumas vezes vinha para a biblioteca, mas você duvidou de mim e parecia tão empenhada em me ajudar que resolvi aceitar.
Eu tenho um sonho de melhorar na escola, de alcançar o sucesso através de muito esforço, sonho em continuar nessa escola com a bolsa que consegui. Mas está muito complicado. Toda noite, antes de dormir, fico contando histórias na minha cabeça de meninas que eram como eu e conseguiram vencer suas limitações, mas eu não consigo. Não vou desistir, eu nunca desisto, mas, você não precisa gastar seu tempo comigo.
Eu nunca tinha visto Li daquela maneira, ela abriu a boca e falou tudo tão seriamente, ela nunca tinha se defendido daquela maneira. Li que sempre sorria de si, estava ali chorando. Me senti envergonhada por duvidar dela. Eu não sabia o que fazer, Li estava chorando de cabeça baixa e eu do outro lado da mesa olhando para ela sem reação, quando de repente Luana, que era psicopedagoga se aproximou e tentou acalmar Li. Perguntou o que havia acontecido e contamos tudo. Ela pegou em sua mão e a levou consigo me pedindo para aguardar um pouco. Logo depois saíram as duas.
Li não me contou nada, fez um mistério terrível.
Um bom tempo passou desde o ocorrido e enfim descobri o objetivo da conversa.
Li passou por exames e foi diagnosticada com déficit de atenção.
Eis os motivos da desatenção da menina. Quem diria? Outro tapa no meio da minha cara. Mas como eu poderia saber?
Desde que Julie começou seus tratamentos, houve uma evolução significativa em suas notas. Mas, nunca deixou seu comportamento super animado e extrovertido.
Comecei a acreditar que aquilo era parte de sua personalidade, e isso ainda não me agradava. Ela tinha que começar a se comportar mais como uma mocinha.
Estávamos crescendo, e não podia continuar daquele jeito.
Os anos foram passando. Mesmo ainda diferente, Li e eu nos tornamos grandes amigas.
Eu conheci os pais de Julie, aprendi sobre sua família, e ela conheceu os meus pais.
Julie e eu sempre estudávamos juntas. Todos os trabalhos em dupla, já nem tentavam mais fazer comigo ou com ela, pois todos sabíamos que erámos inseparáveis.
Acredito que eu tenha ajudado muito Julie, mas era impossível não reconhecer o quanto ela me ajudou.
Vê-la lutar por seus sonhos por mais inalcançáveis que fosse, me ensinava que nem tudo era fácil para todos.
Ver Li, há dois anos, descobrir que o que tinha não era falta de interesse, ou falta de disciplina por pura falta de educação, e sim por ter déficit de atenção, me ensinou a não criar um pré-julgamento, antes de saber de tudo o que realmente acontecia. Quer dizer, eu ainda fazia isso. Mas, ela sempre estava ali me passando os ensinamentos de seu pai.
Saiamos todos os dias da aula juntas, estudávamos, mas sempre no fim do dia, íamos correndo para o nosso lugar preferido que ficava em um lago.
Lá conversávamos sobre tudo.
O quanto amávamos nossos pais, falávamos mal de algumas garotas que nos irritavam (Alana), e falávamos dos garotos (eu falava de Alan), afinal já tínhamos quinze anos.
Comentávamos dos dias difíceis de Li na escola, e o quanto tinha melhorado.
- Sofi. Estava aqui pensando: Acho que Alan gosta de você.
- V- você acha?
- Tenho certeza.
- Mas por que ele não fala comigo?
- Não sei, talvez seja tímido. E seu pai chega a dar medo até em mim que sou sua amiga.
- Mas, acho que meu pai não se importaria. Eu conheço Alan há anos. Mas se ele quiser me namorar vai ter que chegar em mim.
- E se ele chegar? Você vai aceitar?
- Sim. Por que não?
- Acho que deveria falar com seus pais antes.
- Eu já tenho quinze anos, não preciso disso.
- Você deveria. Seu pai já acha que sou uma péssima companhia por eu ser assim meio louca e ter amigos meninos. Ele já falou que meu pai não é duro o suficiente comigo. E mais, ele acha que o motivo de você ter se tornado tão mais independente, é culpa minha. Se bem que não vejo problema nenhum nessa última parte.
- Bem, acho que ele só quer meu bem. E realmente a última parte é culpa sua.
Rimos daquilo. Nossas tardes eram muito prazerosas, e nossas conversas muito gostosa.
Àquela altura eu já tinha celular que meus pais me deram, todos os nossos colegas também tinham, e Li não tinha, pois seus pais não tinha condições suficiente.
E por tal motivo, alguns à esnobavam, e um dia vi alguém falar mal dela por ser pobre e pela casa que morava ser tão simples. Falavam de seus pais se vestirem de maneira tão simples nas reuniões do colégio, enquanto os outros iam tão bem arrumados.
Eu ouvi, mas não tive coragem de falar nada. Nesse exato momento, Li chegou, fiquei envergonhada, pois ela sempre me defendia quando necessário, e eu estava ali muda.
- Li! Disseram todos assustados. Na rodinha estavam Milena, nossa colega de classe, Alana (Lider da fofoca toda), Valentina, outra colega, e Giovanna que estava tão calada quanto eu.
- Por que vocês gostam tanto de julgar as pessoas pelo que elas têm ou a forma que se vestem? Saibam que apesar de não sermos ricos, somos muito honestos e aprendemos a amar as pessoas pelo que são.
Acima de tudo, meus pais me amam muito, são realmente as melhores pessoas que conheço. Se vocês querem falar de mim, podem falar, mas não falem deles.
Li saiu, Giovanna e eu corremos atrás dela. Ela havia realmente ficado triste e pela segunda vez, á vi chorar.
Julie amava os pais, e valorizava sentimentos acima de coisas.
E essa foi a segunda lição, que mais tarde eu viria a aprender com ela. Mas, não ainda.
- Sofi, Gio. Por que vocês estavam com elas? Vocês também pensam igual?
- Não! Respondemos ambas assustadas.
Com um sorriso amoroso que consegui ver apenas em pouquíssimas pessoas, Li nos olhou e disse:
- Sabe, não tem problema. Eu ainda não havia contado. Mas todas as tarde, eu tenho ido trabalhar na casa da minha vizinha cuidando do bebê dela para conseguir dinheiro para comprar um celular para ninguém julgar meus pais, e é por isso que não tenho ido estudar com você essa semana. Mas eu gostaria que fosse surpresa.

Finalmente chegou agosto, e era o aniversário de Julie de dezesseis anos e de repente quando Li chegou em casa no fim do dia:
- Surpresa! Disseram os pais dela com uma caixa pequena na mão.
- Não acredito, falou Li escondendo também a pequena caixa que tinha nas mãos.
Os pais dela haviam dado um duro para comprar um celular que a filha tanto desejava. Mas, Li havia se dado também um aparelho.
Li demonstrou infinita gratidão aos pais, declarou em lágrimas o quanto os amava.
No dia seguinte me contou o que havia acontecido:
- Mas, o que fará com o que você comprou?
- Vou vender e fazer uma coisa por eles que há muito tempo gostaria de fazer. Não o que exatamente gostaria, mas uma amostra.
- Que seria?
- Isso é surpresa.
- Mas, ainda bem que você tem ideia do que fazer, já que trabalhou escondido de seus pais, seria um sacrifício jogado fora.
Os pais de Li não queriam que ela trabalhasse fora ainda, pois gostariam que ela se dedicasse exclusivamente aos seus estudos, então Li trabalhava escondido, e sua vizinha a ajudou guardando segredo. Mas, era por uma boa causa e isso não vinha prejudicando Li.
Um belo dia Alan me chamou para dar uma volta após as aulas, mas, disse que eu precisava falar com meus pais antes para não haver problemas.
Por um instante senti medo de eles não deixarem, e mais, eu já estava grandinha, e não deixaria meus pais estragarem a oportunidade que eu tanto havia esperado. Então apenas fingi ligar.
Levei Alan para onde Li e eu costumava ir quando ela não trabalhava e ainda íamos no fim de semana.
Mesmo muito nervosa por estar com o menino que eu amava, eu me sentia segura, pois já o conhecia há anos.
Passamos a tarde por lá e conversamos muito, até que de repente:
- Sofi.
- Alan! Olhei para Alan que se aproximara de mim timidamente.
- Você sabia que gosto muito de você?
- Sim! Somos amigos, não é? Fiz-me de desentendida.
- Gosto de outra maneira também.
- Engraçado, achei que gostasse de Alana.
Alan riu entendendo meu sarcasmo.
Aproximou-se ainda mais de mim, e finalmente aconteceu... Não acreditei! Finalmente meu primeiro beijo!
Coração a mil. Mas, naquele exato momento nos desequilibramos e caímos do galho que estávamos sentados que atravessava o pequeno lago.
Alan caiu na água, e eu acabei caindo sobre um galho e fraturei meu braço.
Alan entrou em pânico, e me levou ao médico, mas precisávamos de algum adulto. Chamamos a mãe de Alan que nos ajudou, porém ainda precisávamos contar para meus pais.

E agora? Como eu poderia contar para meus pais o que havia acontecido?
Que eu havia saído sem permissão, e ainda com um menino Era para tudo dar certo, meus pais chegariam no fim do dia e eu estaria em casa tranquilamente.
Seria meu fim? O que eu diria? A verdade? Certamente que não.
Já sabia a quem recorrer. Liguei para minha melhor amiga sem pensar duas vezes.
- “Você acha uma boa ideia? Estou disposta a te ajudar, mas mentir não é a melhor saída."
- Poxa, Li. Me ajuda. Você sabe que eu estava proibida de ir ao lago, e ainda mais assim, com um menino.
Sempre disposta a fazer tudo por seus amigos, Julie concordou.
Mas, antes não tivesse concordado com minha ideia.
- Filha! O que houve com você? Perguntou minha mãe preocupada.
- Eu estava estudando com Julie, e eu... ela...
- Fale filha! Disse meu pai alterado.
- Ela me chamou para irmos ao parque. Mas, lá ela subiu em um banco, você sabe com ela é. E pulou em cima de mim. Eu caí de mal jeito e me machuquei. (Aproveitei-me da oportunidade de meu pai não ter se comunicado com ninguém além de mim)
Agora era torcer para meus pais não encontrarem Alan nem seus pais. Se não estaria tudo perdido.
- Eu sempre soube que aquela menina não tinha juízo. Eu avisei. Disse meu pai.
- Tudo resultado da falta de disciplina que seu pais não aplicam. Vou ligar para os pais dessa menina. Onde já se viu? Eles vão ter que pagar o tratamento.
- Pai! Não faz isso. Eles nem tem dinheiro. Como iriam pagar?
- Muito bem, não ligarei. Até por que não quero mais nenhum envolvimento com aqueles doidos. E você mocinha, está proibida de sequer dirigir a palavra aquela menina. Ela quase te matou.
- Mas, pai. Ela é minha melhor amiga. Disse eu em lágrimas.
- Mas, ela só mudou você! Desde que se conheceram você não é mais a mesma. E mais, se você me desobedecer, você será mandada para outra escola, longe de seus outros amigos. Se sequer desconfiar que falou com ela, eu cumprirei com minha palavra.
Naquele momento percebi a burrada que fiz, doeu ver meu pai acusando Julie e seus pais daquela forma, e o tanto que li tentou me fazer falar a verdade e no fim só aceitou por eu insistir tanto e ela não me deixaria na mão.
Mas, se eu dissesse a verdade agora, ainda assim meu pai acharia uma forma de culpar Li apenas para me afastar dela. E se eu o desobedecesse, perderia a chance de ficar com Alan e os meus amigos. Mas, e Li? Bem, eu precisava ser racional, e também não era grave, eu daria um jeito.
Meu pai era um homem super conservador comigo e minha mãe, e ultimamente tinha se tornado ainda mais duro, mas não achava que era por mal, a única coisa que começou a me incomodar era o fato dele se achar bom em tudo e me cobrar o mesmo. Ele era um advogado muito bom, e agora estava ganhando mais dinheiro, o que fazia com que ele se sentisse ainda maior.
Eu achei que seria fácil me aproximar de Julie, até tentei, eu ao menos tive a chance de explicar o ocorrido. E Li me olhava confusa por eu a evitar tanto, meu pai me contratou uma espécie de segurança que me monitorava o tempo todo. Ele estava mesmo empenhado.
Levei Alan em casa, falei que ele não podia falar nada sobre como eu tinha me machucado, mas não expliquei o por quê não.
Então Alan pediu minha mão em namoro e finalmente eramos oficialmente namorados.
Mas, e Julie? O que eu fiz à nossa amizade que foi tão difícil de se construir? Que tipo de imagem construí da pessoa que mais me ajudou para os meus pais?
O que seria de nossa amizade?



E aí gente! O que acharam desse segundo capítulo? O que será das nossas meninas? Você faria o mesmo que Sofi? Você agiria diferente?
Não deixe de comentar aí embaixo que achou para nos motivar a continuar escrevendo com mais entusiasmo. 
(Cap. 3 no próximo sábado)

Por: Di Savi


domingo, 11 de setembro de 2016

O Assassino do Origami


A historia se passa na cidade de TownVille, local longe da capital onde é cheio de vegetação e plantações de milho. A maioria dos moradores era grandes fazendeiros, homens turrões ou algumas pessoas que queriam tirar uns dias de descanso da cidade grande.

17 de Agosto de 2016 às 06h00min


Um cheiro de óleo se espalhava pelo ar enquanto se ouvia conversas muito altas sobre fofocas da região. Um homem com cabelos castanhos, pele clara com a neve e um perfume de carmim entrou no local fazendo todos esticarem os pescoços e as conversas paralelas pararem. Ele olha ao seu redor onde encontra vários idosos e alguns policiais comendo rosquinha, ele acaba sorrindo com o clichê e caminha lentamente até o banco do balcão, onde espera ser atendido. Uma moça de olhos verdes e cabelos pretos andava desorientada com uma cafeteira na mão atrás do balcão. Ela passa direto pelo homem de cabelos castanhos sem perceber sua presença, ela pega uma xícara e coloca para um senhor de idade que estava alguns bancos de distancia do homem. Ela andava apressada que acaba tropeçando nos próprios pés e acaba derramando todo o café da cafeteira no balcão e no homem a sua frente.
 _ Que droga! – O homem escuta a mulher reclamar sem perceber a presença do homem fazendo o homem começar a gargalhar da mulher a sua frente que ergue o rosto rapidamente com os olhos arregalados, ela abre e fecha a boca sem saber o que falar.
        O quão irônico seria isso, não? A mulher não notara a presença de quem ela tinha uma queda gigantesca e o homem mesmo negando se sentiu um pouco incomodado com isso.
   _ Não fale nada – ele disse com um sorriso delicado, a mulher a sua frente estava com as bochechas coradas e olhando para o chão a sua frente em vergonhada – Quando digo não fale nada não quer dizer não faça nada, pois estou ensopado de café aqui! – ele fala com um olhar brincalhão para a mulher a sua frente que no mesmo instante acorda do transe que se encontrava.
_ Oh meu Deus! – ela reclama baixo, mas o suficiente para o homem ouvir. A mulher pega um pano que estava atrás dela e começar a limpar o balcão apressadamente – Me De-desculpe... Eu sou muito atrapalhada e... – A moça falava gaguejando enquanto todos que ficaram até então entretidos na conversa dos dois voltaram a suas conversas.
 _ Hey Catarina! – O homem chamou atenção da moça que tinha acabado de terminar de limpar o balcão – Não precisa se desculpar só me empreste uma camisa, sim?
     Com esse comentário fez a moça olhar para a camisa social do homem a sua frente e perceber que estava toda manchada de café e sua gravata também. Como ela conseguia ser tão desastrada? Essa pergunta não saia da cabeça de Catarina.
_ Bom eu não tenho camisas sociais aqui... E bem as que têm são meio... Como posso dizer? Para funcionários. – Catarina fala nervosa já que pensa ter arruinado o dia do homem.
_ Não estando manchada de café eu aceito! – Fala o homem se divertindo com o nervosismo da mulher fazendo a mesma lhe mostrar um sorriso de lado.
     A Catarina faz um sinal com a cabeça para o homem segui-la, ele se levanta do banco caminhando em direção da mulher que esta de costas andando ate uma porta e a abrindo.
    Eles passaram pela porta entraram num local escuro e apertado que chamamos de estoque. Vários laticínios variados, algumas caixas de café, alguns pães e um freezer onde deve estar os frios.
  _ Está aqui! – Fala a morena quando avista a camisa se dirigindo em direção da mesma, ela a pega na mão – Woow! Não achei que fosse tão ruim. – Fala apertando os lábios uns nos outros.
_ Ah não deve ser tão ruim assim! – Fala o homem desacreditado enquanto caminha em direção à mulher. – Meu Deus!- Exclama o homem após pegar a camisa da mão da mulher para depois gargalhar em plenos pulmões, fazendo Catarina se juntar a ele.
_Eu avisei Chris! – Fala ela após se recuperar da gargalhada.
        A camisa era nada menos do que uma camisa do Bob Esponja! Muito deferente para uma camisa de funcionários pensa Chris. Christopher começou tirando a gravata e já estava desbotoando os botões da camisa suja quando a voz da moça se faz presente.
  _Bom... Vou te esperar lá fora! – Fala Catarina saindo pela porta deixando o homem sozinho ali no estoque. – Ah e não pegue nada, ok? Eu contei uma por uma das coisas que tem aqui! – Fala abrindo a porta e colocando a cabeça para dentro do local. Chris olha em sua direção e encontra uma careta que devia deixa-lo com medo, mas fez o mesmo ficar com vontade de rir.
_ Sim senhorita! – Fala ele segurando o riso.
        Quando a moça fecha a porta ele não solta o riso que segurou. Termina de tirar a camisa suja revelando seu corpo esbelto com algumas cicatrizes, pega a “camisa de funcionários” e a colocando. Estou tão ridículo agora! Pensa o homem antes de sair pela porta do estoque.
      Assim que o homem chega ao balcão Catarina avista o mesmo e se aguenta para não rir da situação que ele se encontra. A camisa, digamos que ficaria melhor numa mulher já que a menos ficou curta fazendo aparecer um pouco a sua barriga, abaixo do umbigo para ser mais precisa.
_ Christopher Chadwick o melhor detetive do Estado que já prendeu milhares de bandidos e é o homem mais corajoso que conheço esta vestindo com uma camisa do Bob Sponja que diriam hein! – Fala Catarina sussurrando em divertimento com a situação que o homem se encontrava. – Será que alguém te viu? – pergunta a moça aflita sem olhar para trás.
_ Tem como eu sair daqui sem ninguém ver? – sussurra o de cabelos castanhos olhando ao redor vendo que todos estavam conversando entre si e não constatando o estado dele.
_ Me siga. – sussurra a moça percebendo também que ninguém notara o estado do homem
    A Catarina se dirigiu para a cozinha com o homem em seu encalço, passou pelo local com cheiro de gordura e ao mesmo tempo o cheiro do bom e velho café de Catarina. No canto da cozinha tinha uma porta com uma plaquinha em cima “Saída” onde ela passou seguida pelo Christopher. A porta dava num beco escuro, onde era utilizado para jogar o lixo da Cafeteria Mellsin.
_ Obrigado te devo uma! – Fala Chris piscando um dos olhos e a mulher franze o rosto em confusão.
_ Eu te derramo café em você te obrigando a vestir essa camisa horrível e você me agradece? – Pergunta a dos olhos esverdeados confusa e o de olhos acastanhados sorrir de forma doce por sua careta.
_ Não te agradeci por isso! – Revela o homem com naturalidade fazendo a mulher achar que o mesmo é louco.
_ Por que então? – Pergunta Catarina esperando que haja uma resposta para isso.
_ Por fazer meu dia mais alegre! – Fala Chris, Catarina arregala os olhos em surpresa por sua resposta. – Eu estava naquele dia em que acordo o pé esquerdo e você fica com um mau-humor. – Continua a falar o de olhos acastanhados e a de olhos esverdeados sente algo bom em sua barriga. – Muito obrigado por fazer minhas manhãs mais felizes! – Diz o homem antes de aproximar o rosto da mulher que fecha seus olhos e ele beija sua testa em sinal de agradecimento.
        Após a demonstração de carinho Christopher ele se afasta e sai rapidamente do beco deixando Catarina lá sozinha. A moça continuou por alguns minutos, que parecia segundos, com os olhos fechados, respiração desregulada, com o coração que pulava do peito parecia que iria sair do mesmo e um sorrisinho nos lábios.  Ela abre os olhos rapidamente se dirigindo para a Cafeteria lembrando que tem clientes para atender.

Aproximadamente as 07h20min do mesmo dia

      Christopher Chadwick estacionou se carro em frente à Delegacia de TownVille ele saiu de seu carro com um terno que tinha acabado de vestir em casa, já que o mesmo não iria ir para a Delegacia com a camisa que Catarina deu para ele, o que acabou o atrasando deixando ele irritado. Chris odiava se atrasar já que é um dos melhores funcionários daquela delegacia.
         Entrou apressado pela recepção não deixando de dar bom dia para todos que encontrava, ele era muito conhecido por sua simpatia e não ira mudar isso só porque estava atrasado. Caminhou até sua sala ouvindo algumas pessoas cochicharem coisas do tipo “Se eu me atrasasse seria demitido” “O queridinho do coronel pode se atrasar já a gente”. Chris aguentou a vontade que lhe subiu a cabeça de esfregar na cara dessas pessoas o quanto ele era dedicado e sempre esteve no horário. Ele não conseguia entender o porquê das pessoas só reparem nos erros e não acertos.
        Sentou em sua confortável cadeira abrindo a gaveta do lado esquerdo da sua mesa onde se encontrava as provas recolhidas no dia passado sobre um caso de assassinato de uma família muito rica.

Sem impressões digitais

O homem foi torturado e violentado até a morte

A mulher foi envenenada

As duas filhas do casal estavam na casa dos avós àquela noite as deixando fora de alvo

Não há sinal de roubo e nem arrombamento na casa

A vizinhança é privada o que torna uma entrada de desconhecido impossível

Vizinhos dizem não ter visto ninguém entrar na casa deles aquele dia

As câmeras de segurança de sua casa estão quebrada faz 2 meses

Esse caso vai quebrar minha cabeça pensa Chris.

Dois dias antes...

     No final do dia um homem que já parecia ter seus 35 anos abria a porta de sua casa assobiando uma musica de sua época de adolescente, após abrir a porta ele adentra em sua casa com um sorriso no rosto. Ele estranha o fato de suas filhas não estarem em suas pernas agora o abraçando, mas lembra de que sua sogra tinha falado que elas iriam ficar na sua casa aquele dia, caminha até a cozinha onde sua esposa poderia estar preparando o jantar.
Cíntia! Meu amor eu cheguei. – Assim que ele coloca os pés na cozinha seus olhos se arregalam e ele entra em desespero. – CÍNTIA! – Grita o homem com lagrimas nos olhos.
            Sua esposa estava com cordas nos braços e pernas amarrada em uma cadeira com um pano na boca para não poder falar. O homem correu em sua direção tirando o pano de sua boca e logo desamarrando seus braços e pernas. A mulher chorava como seu mundo estivesse acabando e estava mesmo.
_ QUEM FOI O DESGRAÇADO QUE FEZ ISSO COM VOCÊ? – O homem gritou desesperado com a situação que estava se passando. Sua esposa soluçava em seus braços deixando o homem com vontade de matar que fez isso com ela.
           Assim que Cíntia abriu a boca para falar um barulho de palmas interrompe fazendo o homem pular do chão e olhar em direção a entrada da cozinha na qual encontra que menos imaginava encontrar.
_VOCÊ? – Grita o homem descreditado para a pessoa a sua frente – Era para você estar... – o homem deixa a frase no ar fazendo a pessoa em sua frente soltar um riso sarcástico.
_ Sim! Não era mais para eu estar com vida, mas advinha? Aqui estou! – Fala satirizando tudo o que estava acontecendo.
CÍNTIA CORRE! NÃO QUERO VOCÊ AQUI! COM ESSE MONSTRO EU LIDO! – Falou corajoso para sua esposa sem olha-la, mas não escutou nem um passo dela. – Cíntia? -  sussurra enquanto se vira e encontra o corpo de sua esposa desmaiado e sem vida
_ Eu a envenenei seu idiota! Meu plano não tem falhas. – Fala antes de acertar o homem com um pau que estava o tempo todo escondido atrás de seu corpo o desmaiando.