sábado, 29 de outubro de 2016

Julie, você merece!

Cap. 5: O vendaval


Bem, então era isso. Enfim, último ano do ensino médio...
Era impossível não sentir a falta que minha velha amiga me fazia, ainda mais que, justo agora, o Alan tinha sido mandado pelos pais para fora do país para fazer intercâmbio. Ou seja, sem minha amiga, sem meu namorado, me restava apenas me dedicar aos meus estudos, já que naquele ano eu precisaria prestar vestibular.
As coisas na minha casa tinham melhorado muito financeiramente desde que meu pai tinha se tornado um advogado muito conhecido por toda região.
Meu pai sempre foi um homem muito admirado, e sempre exigia de todos a sua volta uma postura digna, isso se dava inclusive em casa. Mas isso é algo totalmente desnecessário de ser citado, visto tudo que aconteceu até o momento.
Eu o admirava, apesar de ele ser tão rígido. Eu confiava cegamente nele e sabia que tudo que ele fazia era para o bem da nossa família.
Bem.... Pelo menos até aquele ano, quando o meu pai foi o responsável pelo vendaval que fez desmoronar toda a minha estrutura.
Depois de meu pai ter se tornado muito importante, por vezes, eu o via chegar muito tarde em casa, já não saia comigo e minha mãe, e quase sempre estava cansado demais para fazer algo conosco. Porém, eu entendia, já que ele estava trabalhando muito.
Até que um dia meu pai demorou a chegar em casa, e eu decidi ir até o trabalho do meu pai fazer-lhe uma surpresa, mas quando cheguei lá, ele já não estava e me disseram que ele já tinha ido para casa. Mas, quando cheguei em minha casa, ele também não estava lá.
- Bem, normal, ele pode estar com algum cliente. Disse para mim mesma.
Mas, é nesse momento que alguém interrompe minha fala, me fazendo tomar o maior susto da minha vida. Já que eu achava que não tinha ninguém em casa.
- Não querida. Ele não está com um cliente.
- Oi mãe. Que susto! Mas, como assim? Meu pai está viajando.
Minha mãe abaixa a cabeça evitando olhar em meus olhos.
Como minha mãe estava com uma aparência cansada. Eu foquei tanto em admirar meu pai que há muito tempo não olhava com atenção para ela como ela merecia.
- Não, querida! Ele não está viajando.
- Mãe! Por favor! Sem joguinhos. Onde ele está?
-Filha, saiba que o que vou te falar agora é sem intenção nenhuma de te magoar, embora seja inevitável. Eu descobri há um mês que seu pai está me traindo já faz um tempo.
- Não! Meu pai é um homem muito honesto e ele nunca faria isso.
- Apenas me ouça filha. Eu descobri isso. Mas, eu aguentei durante todo esse mês, pois sei que esse ano é um ano complicado para você. Eu planejava aguentar tudo por você, mas essa dor tem me devastado desde que eu descobri. Eu tenho lutado há muito tempo para manter essa família, e tenho feito isso por você. Mas, não dá mais para fingir que seu pai é o homem que ele aparenta ser, enquanto ele não faz nenhum esforço por nós. Eu não queria te dizer isso por saber o quanto te machucaria, mas eu como sua mãe, tenho a obrigação de ser honesta com você, mesmo que doa. Não pense que ele não te ama. Não é isso. Ele é seu pai. Mas, infelizmente, eu não posso mais aguentar filha. Desculpe!
Nesse momento ela desmoronou em lágrimas, enquanto eu fiquei sem reação. Apenas me levantei e fui até meu quarto como um robô.
Como? O meu pai. A pessoa que eu mais admirava, aquele que para mim, fazia de tudo pelo bem da nossa família. Aquele que todos a sua volta tinha que espelhar perfeição. Como aquele homem não se importava com a própria família? Como ele pôde considerar nossa família um nada? E todo o meu esforço para agradá-lo durante toda a minha vida? Tudo que sacrifiquei para conseguir sua aprovação?  E minha mãe? Se ele era o homem que era, ele também devia a ela. Pois foi ela que o apoiou e o ajudou até ali.
Como alguém pode demonstrar ser uma coisa e viver outra?
Meus pensamentos ferviam, minha mente não conseguia acompanhar a evidente separação dos meus pais. Eu realmente não estava pronta para tudo aquilo. Mas, meus pensamentos foram interrompidos por um grito que veio da sala. Me fazendo correr para lá.
- O que é isso?
Meu pai estava com a mão levantada preste a bater na minha mãe.
- Filha! Volta para o quarto! Eu preciso falar com sua mãe.
- Com a mão levantada para ela? É assim que pretende conversar com ela?
- Filha. Seu pai só está chateado por eu ter te contado tudo.
- Mãe! Não o defenda. O que você fez foi apenas se importar de verdade comigo. E pai? O meu acabou de morrer para mim. Esse homem pra quem eu olho é apenas parecido fisicamente. Mas, não, ele não é meu pai.
O olhar assustado do meu pai para mim era devastador. O olhar de homem forte e que intimidava a todos havia desaparecido. Era como se ele não imaginasse ouvir jamais aquelas coisas da minha boca. E quanto a mim, só queria magoa-lo, fazê-lo sentir pelo menos um pouco do que eu sentia.
Eu esperava que ele revidasse, mas a única coisa que ele disse foi:
- Já percebi que não vai dar pra conversar com nenhuma das duas.
Ele foi até o quarto, pegou algumas roupas e disse:
- Amanhã eu volto para pegar o resto.
Oi? Como assim? Nenhuma explicação, um “Desculpa!”, nada!
- Mãe. Disse eu chorando.
- Eu sei querida. Pedir desculpa nunca foi o forte dele.
Disse minha mãe me abraçando. Nos seu olhos era visível o sentimento de “ É melhor assim.”
Talvez o desgaste da minha mãe durante aqueles dias de traição do meu pai foi tão grande, que naquele momento ela só queria descansar e esquecer aquele dia, mas queria cuidar de mim e da minha dor, pois, afinal, precisaríamos passar por aquilo juntas.
Depois da separação dos meus pais, eu acabei me afundando em meu próprio mundo. Para mim as pessoas estavam sempre me olhando e comentando o assunto.
A pergunta de “Por que?” não saia da minha mente. Eu queria que tudo se ajustasse, embora eu soubesse que não ficaríamos mais juntos como uma família. Eu queria que aquele olhar cansado fosse substituído por um olhar cheio de vida, no rosto da minha mãe. Eu queria ouvir do meu pai um pedido de desculpa digno. Gostaria que ele admitisse o quanto errou e nos magoou. Em vez disso, ele se afastou, cada vez mais, por vergonha ou mesmo por achar que isso não era necessário.
Minha vida virou de pernas para o ar. Eu não conseguia estudar direito, ia mal nas provas por não conseguir me concentrar, me isolei completamente dos colegas do colégio para que não ficassem me questionando sobre meus pais.
Eu me encontrava muito triste e perdida. Não achava nenhum sentido para continuar vivendo, ao não ser o fato da minha mãe precisar de mim.
Comecei a desenvolver comportamentos totalmente contrários a minha personalidade.
No início, todos acharam que fosse uma reação normal ao fim do casamento, até que fui pega bebendo bebidas fortes e fumando com alguns colegas atrás da escola, e o fato de eu estar cada vez mais isolada no meu quarto.

A ausência do Alan não ajudava muito. E foi então que as lembranças da Julie invadiram a minha mente.
Como eu queria ela ali. Eu gostaria ao menos de saber como ela estava, com quem estava, se a sua vida tinha se ajustado.
Eu queria também ela estivesse ali para me ajudar a tomar uma direção. Mas o que estava ali era apenas a lembrança dos nossos dias de amizade.

Bem pessoas, desculpem o sumiço. mas, estamos de volta. 
Não deixem de comentar o capítulo aqui no blog para nos motivar a escrever mais. O próximo cap está previsto para o próximo sábado. Espero que tenham gostado. Bjs

Por: Di Savi

sábado, 1 de outubro de 2016

Julie, você merece!

Cap.4: Vocês deixaram saudades



Na despedida final dos pais de Julie, muitas pessoas foram até a frente da igreja e falaram algumas palavras sobre tia Ana e tio Carlos. Mas, foi no final de tudo que Julie foi a frente, e suas palavras, como não podia ser diferente, emocionou a todos. Pois ninguém conhecia os dois mais que Julie, e suas palavras não foram apenas uma despedida dos pais, mas uma lição de moral que deveríamos levar para a vida.

Cap. 4, parte 1: Lição de amor e a saudade eterna (O discurso de Julie)


A dor que hoje encontra-se em meu coração, é imensurável. A dor de perder as duas pessoas que mais amei e ainda amo, é quase insuportável.
Mas isso é algo que, talvez, só o tempo irá me ajudar a superar. Então, hoje, apenas gostaria de passar para todos um pouco do que meus pais eram e das lições que me passaram.
Meus pais se conheceram ainda no colégio aos dezessete anos.
Começaram a namorar e minha mãe ficou grávida uns oito meses após o início do namoro dos dois. Não, não era de mim. Era do meu irmãozinho que minha mãe perdeu no quarto mês de gravidez.
  Meus pais se casaram sim porque minha mãe engravidou e etc. Não que não fossem se casar se não tivesse acontecido isso, mas porque o plano era estudar e depois se casarem. Mas, enfim, foi assim que aconteceu.
Todavia, mesmo com a perda do meu irmãozinho, eles continuaram juntos pois se amavam. Os pais deles tentaram separá-los para que pudessem estudar, mas eles escolheram estar juntos. Isso no início gerou uma certa revolta nos meus avós, que tempo depois, no meu nascimento para ser mais específica, vieram a aceitar os fatos.
Mas, devido meus pais serem jovens e sem experiência, e por não conseguirem bons empregos, passaram por muitas dificuldades juntos, tanto financeira quanto em suas vidas de casal.
Mas, quando eu nasci, eles prometeram a si mesmos, que fariam de tudo para que nunca nos faltasse comida, um teto e mais importante: me ensinariam o que é a esperança, o respeito e o amor.
E nunca falharam com sua promessa. Embora fossemos pobres, eu os via todos os dias porem a mesa três vezes ao dia.
Eu aprendi o que era a esperança, quando os via vendo as minha notas que eram tão baixas e me olhavam com um sorriso dizendo apenas: “Na próxima eu tenho certeza que serão melhores” ou quando acreditavam que eu conseguiria uma bolsa no colégio Bom saber.
Aprendi o que era o respeito, vendo meus pais se tratarem, me tratarem e tratarem desde o mendigo ao prefeito da cidade da mesma forma que gostariam de ser tratados. Não julgavam o homem pelo que tinham, mas pelo que eram. Não por um fato isolado, mas sim com base em uma convivência de longa data.
Mas, a lição mais importante que aprendi com eles, foi o amor.
Meus pais eram profundos em tudo que sentiam, logo, o amor que sentiam um pelo outro e por mim, transbordava e ia além de palavras.
Na minha casa, não tinha carro bonito, não tínhamos uma casa grande e não viajamos nas férias. Mas, tinha amor. Éramos felizes por termos uma ao outro, por poder andar de mãos dadas e dividirmos cada conquista um com o outro.
Não viajávamos para lugares bonitos, mas curtíamos a companhia um do outro. Era sempre um prazer estarmos juntos.
Nossa casa não era grande, mas era um lar. Um receptáculo de amor. Um lugar no qual a risada ecoava pelos ambientes e qualquer pessoa que entrasse sentia que a felicidade habitava ali.

Todas essas lições aprendi vendo eles viverem isso, e não apenas me falando, mas agindo de tal forma. Eles eram meus exemplos de amor. Tudo que eu sou é resultado do que eles eram e da confiança que tinham em mim. 
Se hoje eu luto sem nunca desistir, se eu sonho com o futuro, é porque eles me ensinavam que o sonho é necessário na vida.
(Naquele momento sua voz quase para e as lágrimas vieram à tona)
E é por isso que meu coração dói tanto hoje. Eu não sonhei com um futuro sem eles. Eles fazem parte de toda a minha história, eles eram meus heróis e eu nunca tinha visto os heróis morrerem. Mas, eles não estão mais aqui. Eles se foram, e eu só queria dizer mais uma vez que eu os amava e que eles eram os melhores. Mas eles se foram.
Hoje, quanto ao que eu sinto, eu não sei bem o que dizer, mas eu sei que de alguma forma eu irei achar uma maneira de seguir, não os esquecendo, mas aceitando que agora eles viverão apenas em meu coração e na memória daqueles que os conheciam.
Adeus, papai! Adeus, mamãe!

Cap. 4, parte 2: A partida

Um mês após a despedida dos tios Ana e Carlos, eu me sentia ainda particularmente triste. Eles eram especiais para mim.
Eu precisava falar com alguém sobre eles. Eu queria saber como Li estava, então arrisquei pedir a minha mãe para me deixar ir vê-la. Em tal situação acreditava que nenhum dos dois, nem meu pai ou minha mãe impediriam.
Então fui correndo vê-la. Ao chegar lá, vi Julie entrar em um carro que continha algumas malas em cima. Não acreditei! Ela estava se mudando.
- Julie... Onde você vai?
- Sofi. Estou realmente surpresa em te ver aqui. Já que você não me procurou uma única vez ao menos para me dizer que estava do meu lado e que as coisas iriam se ajustar com o tempo.
Sabe, Sofi, eu realmente queria que a pessoa que considerei minha melhor amiga estivesse ao meu lado quando eu chorava a noite toda sentindo falta dos meus pais. Mas, tudo bem. Agora tudo está melhorando.
Eu sei que vai ficar tudo certo no final.
- Eu sinto muito por eles. Eu realmente sinto muito. Eu os amava, Julie.
- Não se preocupe. Eles a amavam também.
Sofi! Obrigada, apesar de tudo, pelo tempo de amizade.
Você melhorou muito desde que te conheci. Me arriscaria a dizer que aprendeu muito com meus pais.
- Eu aprendi muito com você Julie. Não vá embora. Eu prometo fazer de tudo por nossa amizade. Eu amo você, Julie. Você é minha irmã. Eu não quero que você vá embora. Por favor.
Naquele momento minhas lágrimas rolaram e Julie saiu do carro para me abraçar.
- Eu a amo muito, Sofi. Mas, eu preciso ir. Infelizmente, não sei quando a verei novamente ou se um dia a verei novamente. Mas, saiba que nunca a esquecerei.
Embora nossos últimos dias não tenham sido os melhores, eu realmente amei te conhecer.
Até a próxima, Sofi.
- Até breve, Li.

Cap. 4, parte 3: Você deixou saudade


Após a partida de Li, que foi morar com os tios em outro estado, as coisas apenas voltaram a ser como era naquela cidade sem graça.
Meu pai realmente vinha mudando muito desde que eu era pequena. Ele vinha se tornando muito prepotente, e minha mãe sempre acabava sendo diminuída por ele. Eu não gostava disso, mas a minha visão do meu pai era de um homem forte que fazia tudo apenas pelo bem de sua família, e eu precisava aceitar aquilo. Isso era o que eu pensava. Eu o tinha como um herói.
Aquele ano se passou e eu não vi mais Julie, e nem recebi noticia dela.
Ela realmente deixou saudades. Aonde ela estaria? O que estaria fazendo? Será que fez grandes amigos? Como estaria suas notas? Será que ainda era aquela menina feliz e sorridente? Será que ainda tinha aquele olhar amoroso, doce e ao mesmo tempo forte que ela tinha?
Dessas coisas eu não saberia se não a reencontrasse algum dia, mas uma coisa era certa: Ela deixou saudade.
E eu não entendo como fui estupida e deixei nossa amizade ir pelo ralo, e quando tentei ajeitar as coisas era simplesmente tarde demais.
Agora, era simplesmente esperar no tempo e viver apenas com as lembranças que eu guardava em meu coração.

 Fiiiimmmmm!!!!
E aí gostaram da nossa história? deixe nos comentários sua opinião...
Brincadeirinha, gente! hahaha Não acabou ainda. No próximo sábado sai o cap. 5. 
Não deixem de comentar o cap. Bjs!!!!

Por: Di Savi

sábado, 24 de setembro de 2016

Julie, você merece!

Cap. 3: Orgulho


Pelo resto daquele ano meu pai foi duríssimo e me manteve sempre sobre vigilância. Dizia ele que eu estava no ensino médio e precisava de concentração máxima.
Andar com pessoas bem ajuizadas e que não me levassem por um mau caminho. Mas, o que ele não sabia até ali, é que Li, apesar de sua loucura, era essa pessoa. Li me ajudava a ser alguém muito melhor, e até me ajudaria a tomar boas decisões, se eu a ouvisse.
Um dia, consegui driblar aquele armário que ficava no meu pé e falar com Li:
- Li.
- Sofi! Tudo bem? O que está acontecendo?
Contei tudo para Li.
- Não acredito, Sofi. E você simplesmente escolheu esconder a verdade? Agora os seus pais têm uma visão ruim não só de mim, mas também injustiçaram meus pais. Sofi... Isso está ficando muito sério. Era para ser algo simples: Você contava a verdade e tomava castigo como todo mundo e fim.
Mas, isso está prejudicando muita gente e olha pra isso, a gente está conversando escondida porque não podemos andar juntas, é como se eu fosse uma doença.
Sabe, você foi uma das minhas melhores amigas...
- Fui? Não sou mais?
- Sabe, Sofi. Eu cedi ao seu pedido por amar você como uma irmã.
Não importa o que falassem de mim, mas, quando se trata de meus pais, eu não aceito que ninguém fale deles sem conhecer a história deles e tudo que passaram para me criar. E seu pai, outro dia, passou de carro e meu pai foi cumprimentá-lo e seu João ligou o carro e quase passa por cima do meu pai. Isso já foi longe demais. Não somos marginais.
Aquela altura, eu já estava muito tensa sem saber o que fazer:
- Eu sei que tudo está muito complicado, mas tenta se pôr no nosso lugar: Meu pai estudou e tem se tornado cada dia um advogado muito importante. Ele sempre me criou para ser a melhor. Ele só está preocupado comigo.
- Seu pai é perfeito para você, certo? O meu também é para mim. E mais, eu sei que a versão da história que seu pai conhece não é a real, mas, se fosse meu pai, aquele homem que não sabe educar a filha, como seu João mesmo fala, meu pai saberia que eu estava mentindo, porque ele presta atenção na filha, e mais, se ele não percebesse, ele jamais julgaria os seus pais e nem mesmo a você. Ele simplesmente consideraria isso um acidente.
- Li, essa discussão está ficando séria. Eu não posso voltar a falar com você em público, mas quero ser sua amiga.
- Escondidas, certo? Por que você jamais poderá ser vista com alguém como eu. Eu quero ser sua amiga, eu amo você, você é uma irmã que nunca tive, e é exatamente por isso que quero que fale a verdade aos seus pais.
- Li, eu não vou fazer isso. Eu não vou correr o risco por uma...
- Você não vai correr o risco por uma amizade comigo certo? Olha, se eu quero que você fale a verdade, é simplesmente para que você tire esse peso que sei que está na sua consciência.
Mas, também, não deixarei de ser sua amiga nunca, eu sempre me lembrarei dos nossos dias juntas, do quanto me ajudou. Mas, serei sua amiga de longe, esperando o retorno da minha amiga Sofi, porque não acredito que essa garota covarde que está na minha frente seja a Sofi. Enfim, estarei sempre aqui esperando você tomar sua decisão. Esperando o seu retorno.
- Julie, você não pode ficar tão chateada assim, afinal se seus pais são tão incríveis assim, porque você precisou trabalhar para comprar um celular para você? Por que não estudaram para terem dinheiro e te dar uma vida digna?
- Você sabe que eles me deram um no meu aniversário e que nunca quiseram que eu trabalhasse cedo, mas eu tomei essa decisão. Agora eu até tomei coragem e contei para eles. No fim do ano usarei todo meu dinheiro para dar um presente para eles. Por que é algo que eu quero fazer. E mais, dinheiro não é tudo, nunca fomos ricos, mas sempre fomos felizes por ter um ao outro. Aprendemos a dar valor a sentimentos e não a coisas. Enfim, não posso mudar o seu modo de pensar, me dói saber que pensa isso deles, mas não posso fazer nada. Eu amo você Sofi. Me procura, estarei sempre aqui por você.
- Li...
Julie foi embora, e eu fiquei ali sem acreditar que eu disse aquilo para ela. Como? Por que? Na tentativa de me justificar, eu acusei pessoas que tinham as almas mais belas que eu já havia visto em toda minha vida.
Mas, era tarde, ela já havia ido e eu não ia desdizer tudo o que já havia dito. Sem contar que eu era uma pessoa complicada de estabelecer vínculos. Já conhecia meus colegas daquela escola muito bem, e tinha medo de ser obrigada a mudar de escola e ter que começar tudo novamente. Tal possibilidade me assustava.
Mas, por esse meu medo bobo, por medo de perder minha segurança e estabilidade, medo de sair da minha zona de conforto, medo de encarar meu pai e dizer a verdade, medo de desconstruir a imagem de filha exemplar que meus pais formaram de mim, preferi me afastar, mesmo sentindo falta dela, me afastei. Era meu futuro que estava em jogo, não iria deixar nada atrapalhar.
A férias chegaram e enfim natal, ano novo e todas aquelas festas. Antes do fim das aulas, Li e eu sempre nos olhávamos de longe, eu soube até que ela me defendia secretamente se alguém falava de mim, e ainda aconselhava Alan sobre o que eu gostava ou não. Ela sempre foi a minha amiga, e eu sempre covarde como ela mesmo havia me dito.
Mas, foi quase no fim de janeiro que Li resolveu revelar a surpresa que tinha para os pais:
- Pai, mãe! Como vocês são os melhores pais do mundo, todo o meu dinheiro que juntei trabalhando vai para algo que eu vim preparando para vocês.
- O que seria, filha?
- Ah, pai! Calma.
- Conta filha. Disse Ana, impaciente.
- Darei uma viagem de lua-de-mel para as praias de Fortaleza, já que é aniversário de casamento de vocês. Na verdade, é só um pouco do que vocês merecem. Quando eu for mais velha, terá muito mais.
Carlos e Ana olharam emocionado para a filha. E Ana disse:
- Filha, você não precisa fazer isso. Compre algo que você goste e que você precise.
- Mãe, o que eu preciso é que vocês façam essa viagem que vocês merecem e que eu queria dar a muito tempo.
- Filha, se você faz questão, nós iremos. Não é querida. Vamos fazer esse esforço. Disse Carlos, em tom irônico. Vamos aproveitar que agora temos esse carro, mesmo que velhinho e vamos.
Mais tarde:
- Querido, não deveríamos, coitadinha.
- Querida, você sabe a quanto tempo Li deseja nos dá essa viagem? Não sabemos o futuro. Devemos aproveitar cada momento. Ela está tendo a chance de realizar um dos desejos de sua vida que é nos dá essa viagem.
- Você tem razão. Temos uma filha e tanto.
Enfim chegou o dia da viagem:
- Li, filha, você ficará na casa da Giovanna, sua mãe disse que não há problema que fique lá, já que logo começam as aulas.
- Certo, mãe.
- Filha, juízo. Vê se aproveita a volta as aulas e acerta as coisas com Sofi. Ela é uma boa menina, só está um pouco confusa.
- Eu sei, pai. Não se preocupe.
- Nós amamos você, seja uma boa menina nos dias que estivermos fora assim como é quando estamos olhando. Ok?
- Não se preocupe mãe.
- Nós amamos você, filha. Muito obrigada pelo presente. Amamos você.
Eu gostava bastante dos pais de Julie, e quando eu estava na pracinha, os vi passando e dei tchauzinho para eles.
Quem diria, eles já tinham até um carro, mesmo que não fosse novo, era deles. Eles eram tão esforçados dentro de todas as suas limitações que eu nem sei como eu fui tão cruel dizendo aquilo para Li.
Mas, enfim, eu não ia mais me aproximar de Li, não correria o risco.
Os pais de Li, sempre mandavam fotos das férias para Li e sempre falavam com a filha.
As aulas haviam voltado e o dia da viagem de volta dos pais de Julie enfim chegou.
Ligaram para a filha antes de entrar no carro ligaram, e disseram que a amavam novamente. Eles diziam aquilo o tempo todo. Era chato, mas, ao mesmo tempo era lindo.
- Ligamos assim que chegarmos, filha.
- Ok! Eu amo vocês.
Enfim o dia da chegada dos pais de Li chegou, e o telefone de Luana, mãe da Gio, toca. Li corre ansiosa corre esperando que sejam os seus pais. Mas, algo que ninguém realmente contava havia acontecido.
Li entra na sala e vê Luana sentada no sofá ainda tremendo e pálida:
- O que houve tia Lu. Disse Li.
- Querida, eu preciso que você seja forte agora. Era do hospital. Eles fizeram tudo que podiam... mas, o acidente... Luana mal conseguia concluir a frase.
- Não... Não... Isso é mentira. Não pode ser.
Naquele momento, Julie sentiu suas vistas escurecerem e suas pernas falharem. Quando acordou estava no hospital.
- Você está melhor, querida? Disse Luana.
- Eu acho que fisicamente sim. Tia, quero vê-los. Eu quero cuidar de tudo, quero ficar até o último momento quando forem... quando eles... quando forem enterrá-los. Dizia Julie em lágrimas.
- Eu ficarei ao seu lado, querida.
- A culpa foi minha, não foi? Eu não deveria ter pago essa viagem.
- Querida, nunca fale isso novamente. Você realizou o sonho de seus pais. E você foi para eles o melhor que pôde acontecer. Você é incrível.
Nada que fosse dito naquele momento poderia reconforta-la, mas ela era forte e manteve sua força ao lado do corpo de seus pais durante todo o velório.
Eu, como meu pai havia me proibido apenas de me aproximar de Julie, achei tudo bem ir ao velório. Afinal, eu havia aprendido a amá-los no nosso tempo de convivência. Eu não me perdoaria se não fosse lá.
Olhei Li de longe, em seus olhos a tristeza era visível. Parecia até que todo o brilho havia desaparecido.
Todos iam cumprimentá-la, e tudo o que eu quera era pegá-la pela mão e leva-la até nosso lugar favorito. Conversar sobre garotas que não gostávamos e sobre garotos.
Queria que ela soubesse que eu estava lá por ela.
Mas, eu fui tão fraca, eu tive medo, eu não quis ir até ela por medo de ela pensar que eu só estava me aproximando por pena.
 Sei que na situação meus pais entenderiam, mas, eu fui fraca, covarde, a pior pessoa naquele momento, fui orgulhosa também. 
 Li, me olhou como se esperasse apenas que eu abrisse o caminho para que tudo voltasse a ser como era. Ao invés disso, fiquei ali sentada até o fim, e depois fui embora. Eu a magoei ainda mais.
Ela só precisava da amiga dos fins de tarde no lago, e eu fui apenas a Sofi  de quando nos vimos pela primeira vez no corredor da escola.


O próximo cap. é o quatro e sai no próximo sábado.
Não deixem de comentar aqui no blog o que acharam.
Por: Di Savi


sábado, 17 de setembro de 2016

Julie, você merece!

Cap.2: Amigas! 

O tempo foi passando e fomos crescendo. Acabei me tornando muito próxima de Julie.
Ainda me pergunto se ofereci uma amizade saudável para ela. Já que Li era espontânea e sempre sorridente, principalmente nas horas inconvenientes.
Li sorria de você, mesmo que você tivesse tomado o maior tombo da sua vida e sofresse traumatismo craniano. Li, por vezes sorria da própria desgraça.
Eu me questionava: Como alguém pode ser tão idiota a tal ponto? Li conseguia.
E eu, Sofi, com meu hábito de achar que sabia tudo sobre tudo e todos, achei que Julie precisava de alguns ajustes, então resolvi mudá-la.
Meu pai me ensinava sempre a ser culta e me comportar da melhor forma, em todos os lugares e nunca ficar rindo de coisas idiotas, pois se o fizesse seria tão idiota quanto os outros. Eu deveria estar sempre a um passo dos outros.
Inclusive, meu pai me aconselhou a adotá-la como um projeto para saber até onde iam as minhas habilidades. Papai sempre apostou muito em mim, só que isso vinha carregado de muitas cobranças. 
Papai me amava, e queria que eu fosse a melhor em tudo. Então, me colocou nas melhores escolas que podia pagar, e exigia que eu me dedicasse ao máximo, e isso acabou se tornando um hábito em minha vida.
Me tornei extremamente perfeccionista. Algumas vezes, olhando do meu presente para esse meu passado, eu era extremamente prepotente. E quando Julie ia mal em suas avaliações, eu acreditava piamente que aquilo devia-se a falta de disciplina e concentração dela, e ainda da falta de dedicação. Ou seja, Julie merecia.
Muito bem, sem mais delongas, vamos para nossos dias de escola.
- Oi, Sofiiii.
- Olá, Julie.
- Tenho uma notícia muito boa. Adivinha.
- Não faço ideia.
- Tirei sete na prova de matemática.
-Julie, eu tirei dez. Acho que a prova estava muito fácil.
- Mas, eu estudei tanto. Acho que a prova não era tão fácil assim. Disse Julie entristecida.
Acabei tirando, naquele momento, os méritos por algo que ela tanto se esforçou e veio tão entusiasmada me contar.
Mas, uma característica em Julie, era não magoar seus amigos, enfrentava professores quando discordava de um determinado assunto, mas nunca de sua opinião formada, apenas de fatos que para mim eram inquestionáveis, já que estava nos livros de história, caramba. Para não enfrentar os amigos, preferia se magoar e deixar que dissessem o que queria.
Na tentativa de ajudar Julie com suas notas e fazer dela meu projeto de fracasso para sucesso, fiz uma proposta:
- Julie, todos os dias após as aulas, eu vou para minha casa, e lá vou estudar todo o conteúdo passado e ver mais coisas na internet. Por que não faz o mesmo?
- Sofi, você não se diverte nunca?
- Não é disso que estamos falando. Falei isso ajustando meus óculos. Aquilo me incomodou, de certa forma.
- Bem, eu já faço algo parecido. Mas, não consigo entender muita coisa. Me desconcentro facilmente na escola, imagina em casa sem professor.
- Precisa ter foco. Além do mais, acho que não se esforça tanto. Impossível! Se se esforçasse suas notas seriam melhores.
- Como eu disse, faço algo parecido, mas não tenho internet em casa. E não tenho computador.
- Vamos fazer o seguinte, vamos estudar na biblioteca. Vou falar com meus pais e você fala com os seus. Quero saber se não vamos melhorar suas notas e seu comportamento inadequado.
E assim foi, todos os dias por meses obriguei Li a ficar na biblioteca comigo.
Foram dias bem intensos para duas garotas de treze anos.
Conhecemos Luana, mão de Giovanna, nossa colega. Luana trabalhava na biblioteca e sempre nos observava.
Enfim, chegaram as primeiras provas depois de termos começado a estudar na biblioteca. Quando terminou tudo, eu estava certa de que ela iria muito bem.
Fui para a biblioteca esperar Li para saber os resultados, já que ela meio que fugiu de mim na escola.
- Julie, me conta como foi nas provas. Aposto que desde que começou a se esforçar verdadeiramente, elas subiram muito.
Li me olhou triste e começou a chorar. Me assustei um pouco e pedi que ela parasse.
- Não precisa ficar chorando. Chorar é coisa de gente fraca. Ainda mais em público. Falei isso em tom de brincadeira.
- Sabe, Sofi, eu realmente admiro você e seu esforço por mim. Eu a considero minha melhor amiga. Eu agradeço tudo que fez, mas minhas notas foram tão baixas ou medianas como sempre. Não importa o que eu faça, não passo de um mísero sete, seis, ou até menos.
Continuou:
- Eu, apesar de você duvidar, realmente me esforçava antes, dentro dos meus limites de materiais. Eu olhava livros e algumas vezes vinha para a biblioteca, mas você duvidou de mim e parecia tão empenhada em me ajudar que resolvi aceitar.
Eu tenho um sonho de melhorar na escola, de alcançar o sucesso através de muito esforço, sonho em continuar nessa escola com a bolsa que consegui. Mas está muito complicado. Toda noite, antes de dormir, fico contando histórias na minha cabeça de meninas que eram como eu e conseguiram vencer suas limitações, mas eu não consigo. Não vou desistir, eu nunca desisto, mas, você não precisa gastar seu tempo comigo.
Eu nunca tinha visto Li daquela maneira, ela abriu a boca e falou tudo tão seriamente, ela nunca tinha se defendido daquela maneira. Li que sempre sorria de si, estava ali chorando. Me senti envergonhada por duvidar dela. Eu não sabia o que fazer, Li estava chorando de cabeça baixa e eu do outro lado da mesa olhando para ela sem reação, quando de repente Luana, que era psicopedagoga se aproximou e tentou acalmar Li. Perguntou o que havia acontecido e contamos tudo. Ela pegou em sua mão e a levou consigo me pedindo para aguardar um pouco. Logo depois saíram as duas.
Li não me contou nada, fez um mistério terrível.
Um bom tempo passou desde o ocorrido e enfim descobri o objetivo da conversa.
Li passou por exames e foi diagnosticada com déficit de atenção.
Eis os motivos da desatenção da menina. Quem diria? Outro tapa no meio da minha cara. Mas como eu poderia saber?
Desde que Julie começou seus tratamentos, houve uma evolução significativa em suas notas. Mas, nunca deixou seu comportamento super animado e extrovertido.
Comecei a acreditar que aquilo era parte de sua personalidade, e isso ainda não me agradava. Ela tinha que começar a se comportar mais como uma mocinha.
Estávamos crescendo, e não podia continuar daquele jeito.
Os anos foram passando. Mesmo ainda diferente, Li e eu nos tornamos grandes amigas.
Eu conheci os pais de Julie, aprendi sobre sua família, e ela conheceu os meus pais.
Julie e eu sempre estudávamos juntas. Todos os trabalhos em dupla, já nem tentavam mais fazer comigo ou com ela, pois todos sabíamos que erámos inseparáveis.
Acredito que eu tenha ajudado muito Julie, mas era impossível não reconhecer o quanto ela me ajudou.
Vê-la lutar por seus sonhos por mais inalcançáveis que fosse, me ensinava que nem tudo era fácil para todos.
Ver Li, há dois anos, descobrir que o que tinha não era falta de interesse, ou falta de disciplina por pura falta de educação, e sim por ter déficit de atenção, me ensinou a não criar um pré-julgamento, antes de saber de tudo o que realmente acontecia. Quer dizer, eu ainda fazia isso. Mas, ela sempre estava ali me passando os ensinamentos de seu pai.
Saiamos todos os dias da aula juntas, estudávamos, mas sempre no fim do dia, íamos correndo para o nosso lugar preferido que ficava em um lago.
Lá conversávamos sobre tudo.
O quanto amávamos nossos pais, falávamos mal de algumas garotas que nos irritavam (Alana), e falávamos dos garotos (eu falava de Alan), afinal já tínhamos quinze anos.
Comentávamos dos dias difíceis de Li na escola, e o quanto tinha melhorado.
- Sofi. Estava aqui pensando: Acho que Alan gosta de você.
- V- você acha?
- Tenho certeza.
- Mas por que ele não fala comigo?
- Não sei, talvez seja tímido. E seu pai chega a dar medo até em mim que sou sua amiga.
- Mas, acho que meu pai não se importaria. Eu conheço Alan há anos. Mas se ele quiser me namorar vai ter que chegar em mim.
- E se ele chegar? Você vai aceitar?
- Sim. Por que não?
- Acho que deveria falar com seus pais antes.
- Eu já tenho quinze anos, não preciso disso.
- Você deveria. Seu pai já acha que sou uma péssima companhia por eu ser assim meio louca e ter amigos meninos. Ele já falou que meu pai não é duro o suficiente comigo. E mais, ele acha que o motivo de você ter se tornado tão mais independente, é culpa minha. Se bem que não vejo problema nenhum nessa última parte.
- Bem, acho que ele só quer meu bem. E realmente a última parte é culpa sua.
Rimos daquilo. Nossas tardes eram muito prazerosas, e nossas conversas muito gostosa.
Àquela altura eu já tinha celular que meus pais me deram, todos os nossos colegas também tinham, e Li não tinha, pois seus pais não tinha condições suficiente.
E por tal motivo, alguns à esnobavam, e um dia vi alguém falar mal dela por ser pobre e pela casa que morava ser tão simples. Falavam de seus pais se vestirem de maneira tão simples nas reuniões do colégio, enquanto os outros iam tão bem arrumados.
Eu ouvi, mas não tive coragem de falar nada. Nesse exato momento, Li chegou, fiquei envergonhada, pois ela sempre me defendia quando necessário, e eu estava ali muda.
- Li! Disseram todos assustados. Na rodinha estavam Milena, nossa colega de classe, Alana (Lider da fofoca toda), Valentina, outra colega, e Giovanna que estava tão calada quanto eu.
- Por que vocês gostam tanto de julgar as pessoas pelo que elas têm ou a forma que se vestem? Saibam que apesar de não sermos ricos, somos muito honestos e aprendemos a amar as pessoas pelo que são.
Acima de tudo, meus pais me amam muito, são realmente as melhores pessoas que conheço. Se vocês querem falar de mim, podem falar, mas não falem deles.
Li saiu, Giovanna e eu corremos atrás dela. Ela havia realmente ficado triste e pela segunda vez, á vi chorar.
Julie amava os pais, e valorizava sentimentos acima de coisas.
E essa foi a segunda lição, que mais tarde eu viria a aprender com ela. Mas, não ainda.
- Sofi, Gio. Por que vocês estavam com elas? Vocês também pensam igual?
- Não! Respondemos ambas assustadas.
Com um sorriso amoroso que consegui ver apenas em pouquíssimas pessoas, Li nos olhou e disse:
- Sabe, não tem problema. Eu ainda não havia contado. Mas todas as tarde, eu tenho ido trabalhar na casa da minha vizinha cuidando do bebê dela para conseguir dinheiro para comprar um celular para ninguém julgar meus pais, e é por isso que não tenho ido estudar com você essa semana. Mas eu gostaria que fosse surpresa.

Finalmente chegou agosto, e era o aniversário de Julie de dezesseis anos e de repente quando Li chegou em casa no fim do dia:
- Surpresa! Disseram os pais dela com uma caixa pequena na mão.
- Não acredito, falou Li escondendo também a pequena caixa que tinha nas mãos.
Os pais dela haviam dado um duro para comprar um celular que a filha tanto desejava. Mas, Li havia se dado também um aparelho.
Li demonstrou infinita gratidão aos pais, declarou em lágrimas o quanto os amava.
No dia seguinte me contou o que havia acontecido:
- Mas, o que fará com o que você comprou?
- Vou vender e fazer uma coisa por eles que há muito tempo gostaria de fazer. Não o que exatamente gostaria, mas uma amostra.
- Que seria?
- Isso é surpresa.
- Mas, ainda bem que você tem ideia do que fazer, já que trabalhou escondido de seus pais, seria um sacrifício jogado fora.
Os pais de Li não queriam que ela trabalhasse fora ainda, pois gostariam que ela se dedicasse exclusivamente aos seus estudos, então Li trabalhava escondido, e sua vizinha a ajudou guardando segredo. Mas, era por uma boa causa e isso não vinha prejudicando Li.
Um belo dia Alan me chamou para dar uma volta após as aulas, mas, disse que eu precisava falar com meus pais antes para não haver problemas.
Por um instante senti medo de eles não deixarem, e mais, eu já estava grandinha, e não deixaria meus pais estragarem a oportunidade que eu tanto havia esperado. Então apenas fingi ligar.
Levei Alan para onde Li e eu costumava ir quando ela não trabalhava e ainda íamos no fim de semana.
Mesmo muito nervosa por estar com o menino que eu amava, eu me sentia segura, pois já o conhecia há anos.
Passamos a tarde por lá e conversamos muito, até que de repente:
- Sofi.
- Alan! Olhei para Alan que se aproximara de mim timidamente.
- Você sabia que gosto muito de você?
- Sim! Somos amigos, não é? Fiz-me de desentendida.
- Gosto de outra maneira também.
- Engraçado, achei que gostasse de Alana.
Alan riu entendendo meu sarcasmo.
Aproximou-se ainda mais de mim, e finalmente aconteceu... Não acreditei! Finalmente meu primeiro beijo!
Coração a mil. Mas, naquele exato momento nos desequilibramos e caímos do galho que estávamos sentados que atravessava o pequeno lago.
Alan caiu na água, e eu acabei caindo sobre um galho e fraturei meu braço.
Alan entrou em pânico, e me levou ao médico, mas precisávamos de algum adulto. Chamamos a mãe de Alan que nos ajudou, porém ainda precisávamos contar para meus pais.

E agora? Como eu poderia contar para meus pais o que havia acontecido?
Que eu havia saído sem permissão, e ainda com um menino Era para tudo dar certo, meus pais chegariam no fim do dia e eu estaria em casa tranquilamente.
Seria meu fim? O que eu diria? A verdade? Certamente que não.
Já sabia a quem recorrer. Liguei para minha melhor amiga sem pensar duas vezes.
- “Você acha uma boa ideia? Estou disposta a te ajudar, mas mentir não é a melhor saída."
- Poxa, Li. Me ajuda. Você sabe que eu estava proibida de ir ao lago, e ainda mais assim, com um menino.
Sempre disposta a fazer tudo por seus amigos, Julie concordou.
Mas, antes não tivesse concordado com minha ideia.
- Filha! O que houve com você? Perguntou minha mãe preocupada.
- Eu estava estudando com Julie, e eu... ela...
- Fale filha! Disse meu pai alterado.
- Ela me chamou para irmos ao parque. Mas, lá ela subiu em um banco, você sabe com ela é. E pulou em cima de mim. Eu caí de mal jeito e me machuquei. (Aproveitei-me da oportunidade de meu pai não ter se comunicado com ninguém além de mim)
Agora era torcer para meus pais não encontrarem Alan nem seus pais. Se não estaria tudo perdido.
- Eu sempre soube que aquela menina não tinha juízo. Eu avisei. Disse meu pai.
- Tudo resultado da falta de disciplina que seu pais não aplicam. Vou ligar para os pais dessa menina. Onde já se viu? Eles vão ter que pagar o tratamento.
- Pai! Não faz isso. Eles nem tem dinheiro. Como iriam pagar?
- Muito bem, não ligarei. Até por que não quero mais nenhum envolvimento com aqueles doidos. E você mocinha, está proibida de sequer dirigir a palavra aquela menina. Ela quase te matou.
- Mas, pai. Ela é minha melhor amiga. Disse eu em lágrimas.
- Mas, ela só mudou você! Desde que se conheceram você não é mais a mesma. E mais, se você me desobedecer, você será mandada para outra escola, longe de seus outros amigos. Se sequer desconfiar que falou com ela, eu cumprirei com minha palavra.
Naquele momento percebi a burrada que fiz, doeu ver meu pai acusando Julie e seus pais daquela forma, e o tanto que li tentou me fazer falar a verdade e no fim só aceitou por eu insistir tanto e ela não me deixaria na mão.
Mas, se eu dissesse a verdade agora, ainda assim meu pai acharia uma forma de culpar Li apenas para me afastar dela. E se eu o desobedecesse, perderia a chance de ficar com Alan e os meus amigos. Mas, e Li? Bem, eu precisava ser racional, e também não era grave, eu daria um jeito.
Meu pai era um homem super conservador comigo e minha mãe, e ultimamente tinha se tornado ainda mais duro, mas não achava que era por mal, a única coisa que começou a me incomodar era o fato dele se achar bom em tudo e me cobrar o mesmo. Ele era um advogado muito bom, e agora estava ganhando mais dinheiro, o que fazia com que ele se sentisse ainda maior.
Eu achei que seria fácil me aproximar de Julie, até tentei, eu ao menos tive a chance de explicar o ocorrido. E Li me olhava confusa por eu a evitar tanto, meu pai me contratou uma espécie de segurança que me monitorava o tempo todo. Ele estava mesmo empenhado.
Levei Alan em casa, falei que ele não podia falar nada sobre como eu tinha me machucado, mas não expliquei o por quê não.
Então Alan pediu minha mão em namoro e finalmente eramos oficialmente namorados.
Mas, e Julie? O que eu fiz à nossa amizade que foi tão difícil de se construir? Que tipo de imagem construí da pessoa que mais me ajudou para os meus pais?
O que seria de nossa amizade?



E aí gente! O que acharam desse segundo capítulo? O que será das nossas meninas? Você faria o mesmo que Sofi? Você agiria diferente?
Não deixe de comentar aí embaixo que achou para nos motivar a continuar escrevendo com mais entusiasmo. 
(Cap. 3 no próximo sábado)

Por: Di Savi